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‘Nunca houve contrato’, diz diretora do TCA sobre show de João Gilberto

O Globo

No dia 3 de novembro, produção divulgou que turnê começaria em Salvador. Na ocasião, o cantor adiou início da turnê por motivos de saúde.

Após rumores de cancelamento do show da turnê em comemoração aos 80 anos de João Gilberto, previsto para ser realizado na sexta-feira (9), em Salvador, a diretora artística do Teatro Castro Alves, Rose Lima, informou nesta quarta-feira (7), que  não houve nenhum contrato assinado para apresentação do cantor no teatro em 2011.

No dia 3 de novembro, a assessoria da turnê de João Gilberto divulgou em nota oficial que a série de apresentações do músico foi adiada por motivo de saúde, e que Salvador seria a primeira cidade a receber o show, no dia 9 de dezembro.

“Essa pauta [do show de João Gilberto] nunca foi fechada. Nada foi anunciado no site do TCA, não houve abertura de bilheteria, era uma especulação. Recebemos contatos da produção que mostrou interesse em realizar o show aqui [no TCA], mas não houve assinatura do contrato. Esse ano não tem nenhuma apresentação de João Gilberto prevista no teatro, infelizmente. A gente deseja muito que esse show seja feito aqui, mas até agora nada foi fechado”, explica a diretora artística do Teatro Castro Alves, Rose Lima. A produção do cantor baiano não foi localizada ara comentar o assunto.

O primeiro show da turnê nacional de João Gilberto seria feito no dia 5 de novembro, em São Paulo. De acordo com a assessoria do músico baiano, as apresentações foram adiadas porque, na ocasião, o cantor estava com uma forte gripe, precisando de cuidados especiais. Ainda de acordo com a assessoria, o cantor deve se apresentar no dia 18 de dezembro emSão Paulo e no dia 21 no Rio de Janeiro.

Ainda não há confirmação de datas para os shows de Brasília e Porto Alegre. Por conta disso, todos os ingressos serão estornados. Quem adquiriu nas bilheterias físicas deve retornar ao local com o ticket e comprovante em mãos. Na compra pela internet, via Ingresso Rápido, ou pelo Call Center, o procedimento deve ser feito pelo telefone 4003-1212, pela opção 5, para cancelamento. O valor será estornado no cartão de crédito no prazo máximo de 15 dias úteis conforme operador.

Projeto

O projeto “80 anos – Uma vida bossa nova” inclui, além das apresentações que estavam previstas, a gravação de pelo menos um DVD. Os preços dos ingressos dos shows vão de R$ 500 a R$ 1,4 mil o que, em alguns casos, afugentou o público – em São Paulo, por exemplo, onde a expectativa era de que os ingressos se esgotassem rapidamente, ainda há lugares em quase todos os setores.

Avesso aos holofotes e à mídia, João Gilberto se apresentou no país pela última vez em 2008, durante outra comemoração: a dos 50 anos de bossa nova. Na ocasião, os ingressos foram vendidos em poucas horas.

Batida inconfundível

Sua principal característica é a forma de tocar violão, que até hoje influencia inúmeros artistas nacionais e internacionais. Reza a lenda que foram meses ensaiando exaustivamente até encontrar esta batida ideal e o jeito singular de cantar, que eliminava os vibratos, a impostação, a potência e tudo o mais considerava excesso. Adaptou a essa nova forma de cantar e tocar as melodias de Tom Jobim e as letras de Vinicius de Moraes. Estava criada a bossa nova.

O “laboratório” de João seria o álbum “Canção do amor demais”, lançado por Elizeth Cardoso em 1958, só com composições de Tom e Vinicius. Não à toa, o disco, que já trazia o violão sincopado do músico baiano nas faixas “Chega de saudade” e “Outra vez”, é considerado o marco inicial da bossa nova.

Entretanto, a voz do cantor só apareceria em agosto de 1958, num compacto simples com os clássicos instantâneos “Chega de saudade” e “Bimbom” — meses depois, lançara outro petardo bossanovístico, o também compacto “Desafinado” e “Oba-la-lá”. Somados, a voz e o violão de João Gilberto acabaram por consolidar o estilo, que veio a ser um dos principais expoentes da música brasileira. A partir de então, a bossa nova revelaria e consagraria toda uma geração de músicos brasileiros, como Nara Leão, Carlos Lyra, Luizinho Eça, João Donato, Roberto Menescal, Baden Powell e Johnny Alf, entre outros.

‘O mito’

Se as aparições públicas, shows e entrevistas de João Gilberto tornaram-se raridade, o mesmo também pode-se dizer sobre sua discografia em CD. Apenas seus discos mais recentes, caso de “João Gilberto Prado Pereira de Oliveira” (1999) e “João voz e violão” (2000), podem ser encontrados com alguma facilidade no mercado brasileiro. Uma outra parte está disponível na internet para importação, como “Brasil” (1981), que gravou com Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia. Mas os trabalhos essenciais do músico, que ajudam a entender sua importância e a reverência de tantas gerações, praticamente desapareceu.

Tudo começou depois do lançamento de “O mito”, em 1992. Compilado pela gravadora EMI, que detém os direitos sobre o catálogo do cantor, o álbum reúne os três primeiros LPs de João, “Chega de saudade” (1959), “O amor, o sorriso e a flor” (1960) e “João Gilberto” (1961), mais o EP “Orfeu da Conceição”. O projeto despertou a ira do artista, que reclamou da remasterização e do fim da sequência original das faixas. Começava então uma briga judicial entre as partes, que não tem previsão para acabar.



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