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Presidente da Câmara de Salvador aposta em 2º turno entre Mário Kertész e ACM Neto

Tribuna da Bahia

Vereador acredita que início da campanha eleitoral na TV trará maior equilíbrio nos resultados das pesquisas de intenção de voto.

Vereador pelo quinto mandato e atual presidente da Câmara Municipal de Salvador, Pedro Godinho (PMDB) acredita no potencial de crescimento e na capacidade de o candidato da coligação “Salvador Tem Jeito”, Mário Kertész (PMDB) de chegar ao segundo turno da corrida eleitoral para a prefeitura de Salvador.

“Acho que o Mário é o perfil mais completo para ser administrador dessa cidade. Ele tem experiência por já ter sido prefeito, é competente e tem coragem”, disse. Godinho, que tem como uma das bandeiras o planejamento familiar como forma de minimizar os problemas sociais, destaca o trabalho do Legislativo e diz ter expectativas positivas em relação ao julgamento pelo TJ em relação à LOUS. Sobre a votação das contas do Executivo, o presidente afirma que tudo dependerá de um acordo entre os líderes partidários e o conjunto de vereadores.

Tribuna – Como avalia a candidatura de Mário Kertész? Há chance de ir para o segundo turno?
Godinho
 – Eu acho que a candidatura de Mário tem crescido muito. Ele não lançou a candidatura há muito tempo, como os outros candidatos que já vem aí há algum tempo na mídia, nos jornais e de qualquer maneira no meio da população. Mário lançou há pouco tempo e em pouco tempo ele cresceu. Eu me lembro que ele começou com 3%, passou para 5% e hoje segundo o Ibope já está em 8%. Eu vi também que na espontânea ele está com empate técnico com Pelegrino. Pelo tempo que ele tem já é um bom crescimento e ele pode chegar ao segundo turno.

Tribuna – E o candidato Nelson Pelegrino decola ou acha que greve causou estragos na base do PT?
Godinho
 – É difícil você conjecturar o que pode acontecer. Claro que essas greves atrapalharam bastante. A gente está nas ruas e estamos ouvindo as restrições que as pessoas fazem, acham que a greve não deveria levar tantos dias, mais de cem dias sem ter sido resolvida. Claro que isso abala a candidatura. Agora é difícil você fazer a previsão do que pode acontecer lá. Acho que a eleição está indefinida. Apesar de ACM Neto estar com 40% o horário eleitoral ainda não começou. O Mário tem pouco tempo realmente como candidato. Ficou muito tempo se perguntando Mário vai ou não vai? Quando ele definiu foi há pouco tempo e o crescimento foi rápido. A eleição está indefinida em Salvador.


Tribuna – Os candidatos ACM neto e Mário disputarão a mesma fatia do eleitorado?
Godinho 
– Sim e não. Depende. É muito relativo isso. Eventualmente um outro pode atrair o voto que não seja deles dois. Eles podem ter voto em comum, mas podem atrair o voto de um eleitor que está indeciso ou com tendência de dá o voto a outro candidato.

Tribuna – Num eventual segundo turno, quem o PMDB deve apoiar: o DEM ou o PT?
Godinho
 – Eu não sei realmente lhe dizer, pois, temos com o PMDB, com a direção do partido, com o presidente Lúcio (Vieira Lima) e com todos aqueles que compõem a direção uma relação muito boa e de boa abertura e diálogo franco, mas esse assunto ainda não foi ventilado. Naturalmente apostamos que nosso candidato estará no segundo turno. Não estamos conjecturando justamente por acreditarmos que estaremos no segundo turno.

Tribuna – Mas o próprio Mário já deu sinais de que caso não vá ele pode apoiar Pelegrino.
Godinho
 – Pois é. Ele pode ter dito isso, mas eu acho, prefiro achar, que ele vai disputar o segundo turno.

Tribuna – E as contas do prefeito João Henrique? Qual a previsão de votação na câmara?
Godinho 
– Essas contas dependem de acordo, como tudo na Câmara depende de acordo dos líderes partidários e do conjunto de vereadores porque o regimento propicia que às vezes as votações, – apesar de estarmos reunidos todas as semanas – que se qualquer um de nós precisarmos discutir uma mera utilidade pública ele passa mais de uma hora discutindo o projeto. Então o que acontece? Você começa a sessão às 15hh e você fica uma hora e tanto discutindo um mero projeto, se quiser. Isso um vereador. Se outro quiser serão duas horas, então acabou. Isso desestimula. Acaba o horário e os vereadores vão embora. Isso em um projeto simples, agora imagine em um mais polêmico, como é o caso das contas. Então isso só vai votar quando houver um acordo de líderes. Há uma dificuldade também porque as pessoas estão também voltadas para suas eleições. Eu acredito que a essa altura pelo sentimento que noto na Câmara só vai ser apreciado após as eleições. Depende dos líderes, mas não vejo isso ser ventilado na Câmara no momento.


Tribuna – O senhor acha que pelo fato de o PP apoiar Pelegrino, pode haver alguma flexibilidade do PT e do PCdoB?
Godinho – 
É difícil saber isso. Por não pertencer a esses partidos eu não sei dizer se eles vão solicitar que os vereadores tomem uma ou outra posição. No nosso caso nós vamos fazer uma análise técnica e cada vereador votará de acordo com as suas consciências. Ainda não houve nenhuma reunião para discutir isso, mas acho que cada vereador votará livremente de acordo com as suas consciências.

Tribuna – Como observou o apoio declarado de JH a Geraldo Jr.? Isso pode gerar problemas, inclusive, na votação das contas?
Godinho 
– Olha. Eu não estava lá. Eu não vi de que maneira ele se expressou. Ele pode dizer que apoia Geraldo Jr como dizer que apoia a outros também. Eu não sei se ele disse isso. Eu não sei como ele colocou isso. Se ele explicitou que vai votar em Geraldo Jr. aí pode criar um problema com os demais, inclusive com os do PP, que é o seu partido, mas se ele disse que apoia não quer dizer que ele não apóie outros. É preciso ver como ele colocou.

Tribuna – Como vê a relação da Câmara com a Prefeitura? Há estremecimentos?
Godinho 
– Não existe estremecimento, mas eu me preocupo com a falta de interlocução entre o Legislativo e o Executivo. Mas há algum tempo venho sentindo isso e tenho externado essa preocupação. Tenho notado uma dificuldade muito grande, não é pequena de diálogo entre a Câmara e o Executivo. Apesar de não haver estremecimento, mas falta a prefeitura essa interlocução. Os vereadores tem dificuldade de dialogar com a prefeitura representada pelo gabinete do prefeito e isso não é bom. Apesar dos esforços do líder Téo Senna, mas falta esse elo. Encontramos dificuldades do lado de lá.


Como vê a ingerência de outros poderes na questão da LOUS e o PDDU?
Godinho
 – Olha. Eu acho que a Câmara votou dentro da legalidade, dentro do que prescreve o seu regimento interno e a sua lei orgânica. Nós fizemos quatro audiências públicas e votamos conscientes dentro do que estabelece a lei.

Houve alguns questionamentos em relação à lei e na minha maneira de ver não achei que fossem corretos porque eu acho que a Câmara votou dentro daquilo que é inerente ao vereador de votar e apresentar suas emendas. Nós estamos lutando na Justiça para fazer valer os direitos e a independência do Legislativo.

Tribuna – Com relação à decisão do Tribunal de Justiça sobre a LOUS o senhor está otimista?
Godinho
 – Estou otimista. Por enquanto foram decisões de liminares, mas o mérito será examinado e quando isso acontecer teremos condições, como estamos tendo de entrar com os recursos adequados mostrando a legalidade da aprovação da lei. Então eu tenho expectativa favorável que as coisas serão esclarecidas e que a votação da Câmara prevalecerá.

Tribuna – Há excessos do vereador Alcindo Anunciação na condução do trabalho no plenário?
Godinho
 – Eu não gosto de avaliar a conduta dos colegas. Eu gosto de todos, sou amigo de todos. Respeito a todos, tenho a melhor relação de coleguismo e de amizade e com Alcindo também que é meu amigo. Eu acho que ele usa o regimento da Câmara. Por exemplo, ele faz a obstrução porque alega que gostaria de votar um projeto dele que a Câmara considera polêmico e que por isso não vota com facilidade. Por exemplo, tem o que prevê a sabatina daqueles que vão ocupar cargos de superintendência, etc.

O acordo que ele queria fazer é que se o projeto dele fosse apreciado ele apreciaria os outros. Como o projeto dele não foi apreciado, então ele se sente prejudicado. É uma questão de foto íntimo dele. Nós temos já conversado bastante e vamos chegar a uma solução.

A próxima sessão deve ser de votação desses projetos polêmicos e o dele poderá entrar. Eu mesmo sou a favor do projeto dele. Acho que não custa nada fazermos isso. Então quando o projeto dele for apreciado, – que vai ser – acaba essa polêmica de obstrução.

Tribuna – E seu projeto de reeleição? Como anda a campanha?
Godinho 
– Toda campanha é difícil. Cada uma é uma. Eu já participei de cinco para vereador e graças a Deus ganhei todas. Mas não quer dizer com isso que eu ache que já ganhei. Eu estou trabalhando com muita humildade, mostrando o meu trabalho.

Eu tenho um projeto que priorizo há muitos anos que é Planejamento Familiar, que eu acho básico não só para Salvador, como para todo o Brasil e até para o mundo hoje em dia. Quem tiver consciência do que representa o aumento indiscriminado da população, a ameaça que isso representa para nós todos vai prestigiar.

Tenho muitos amigos que acreditam em mim, acreditam em meu trabalho e que além do voto, multiplicam o voto. Tenho tido reuniões com numerosos amigos que gostam de mim, acreditam na minha luta e na minha defesa nos interesses da cidade. Não votam só, mas também multiplicam o voto. Isso nos dá o conforto de que podemos conseguir de novo, mas estou conduzindo com muita humildade e se Deus quiser se for para o meu bem e para o conjunto da cidade que eu ganhe a eleição.

Tribuna – Fala-se em renovação de mais de 30% da câmara. Como o senhor vê isso?
Godinho 
– As pessoas costumam dizer o seguinte: – É bom ter renovação. Mas eu acho que a renovação só serve se for para melhor. Não adianta a Câmara, ou seja, o que for renovar em grande quantidade se não for para melhor. Renovar se for para melhor, se assim não for eu não vejo vantagem em renovação.

Eu acho que a Câmara tem bons quadros de vereadores. São vereadores que cada um tem seu posicionamento, tem o seu jeito de trabalhar. Uns com seus projetos, outros atendendo as suas comunidades, portanto eu vejo a Câmara trabalhando muito.

Eu não vejo uma grande renovação porque vejo a Câmara trabalhando muito, nos seus bairros, nas comunidades, atendendo os pleitos das pessoas e discutindo as questões da cidade. Por isso tudo acho que a grande maioria está credenciada a voltar.

Tribuna – Quem são as grandes apostas esse ano?
Godinho 
– Eu sei realmente que tem vereadores muito fortes na Câmara, mas eu não quero citar para não cometer injustiça com os outros. Mas que tem muitos vereadores que são bem votados tem. Não vou citar nomes para não cometer o erro de esquecer alguém

Tribuna – Por fim, como acredita que a Câmara pode ajudar Salvador a sair do caos que se encontra?
Godinho
 – A Câmara tem uma responsabilidade muito grande com Salvador porque não é só o trabalho do Executivo, mas o Legislativo está aí para sugerir, acompanhar as ações da prefeitura, debater e apresentar o melhor. A Câmara tem cumprido o seu papel.

Se você for olhar o número de projetos que aprovamos é muito grande. É porque o trabalho do Legislativo não aparece tanto, mas a Câmara legislou, por exemplo, que cada residência coloque um hidrômetro particular para evitar que pague pelo consumo do outro.

A Câmara legislou a proibição do fumo de modo geral. Hoje a coisa ficou mais rígida, se proibindo o fumo em alguns ambientes. A Câmara segue com uma luta histórica do planejamento familiar tão essencial para Salvador.

O município implantou nos postos de saúde, o planejamento familiar. Ainda tiveram outras questões muito importantes, como as de mobilidade urbana, meio ambiente. Tudo se discute, tantos os problemas menores, assim como os maiores e mais pontuais. Portanto a Câmara continua dando a sua contribuição e vai continuar cumprindo esse papel porque a cidade de Salvador é muito complexa.

Para mim Salvador é a cidade mais difícil de se administrar porque é a terceira em população e a penúltima em arrecadação. Como você resolve uma questão dessas?

Você veja a responsabilidade que o próximo prefeito tem. Por isso acho que o Mário é o perfil mais completo para ser administrador dessa cidade por reunir três questões. Ele tem experiência por já ter sido prefeito, é competente e tem coragem. Aonde ele vai deixa a sua marca de competência. Salvador precisa de mudanças.

Se o administrador não tiver esses requisitos não vai adiantar. Não é mais possível que a prefeitura administrar as estações de transbordo, os elevadores e equipamentos urbanos.

Em toda parte do mundo você faz parcerias público-privadas para que se assuma aquilo, e se dê uma manutenção devida para que o usuário possa ter um serviço bom e com conforto. Aqui se quebrar uma peça de elevador, a prefeitura tem que esperar para trazer de não sei a onde. Você vai ao Corcovado, no Rio de Janeiro e paga uma taxa e as coisas funcionam. Quando se quer isso em Salvador como em outros lugares do mundo há uma resistência grande, mas o administrador tem que ter coragem.

O próximo administrador tem que ter esses requisitos e no final ele será reconhecido.

Falaram há uns tempos atrás que iam privatizar o elevador Lacerda. Privatizaram? O equipamento pertence ao município. O que será feito apenas é uma parceria para se cuidar do equipamento. Então toda hora quebra, não tem peça para consertar.

A questão da mobilidade urbana é outro problema. Em Salvador se emplaca três mil carros mensalmente e deu nisso que deu. Por isso é mais difícil porque a arrecadação da cidade é insuficiente. Salvador é de uma complexidade muito grande. São Paulo e Rio são cidades com maiores populações, mas também tem arrecadações infinitamente maiores, portanto se não tiver um candidato com esse perfil de experiência, competência e coragem.



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