O Dia
Na pele da médica Amarilys, que vai emprestar sua barriga para que um casal gay tenha uma criança em ‘Amor à Vida’, Danielle Winits mostra, nesta entrevista, que é uma mulher sem preconceitos.
A atriz diz que é sempre a favor das famílias (e também das novas famílias, como a que está sendo retratada na novela; afirma que poderia gerar um filho para um casal homossexual se fosse para ajudar um amigo e garante que poderia se apaixonar por um bissexual, como vai acontecer com sua personagem na trama de Walcyr Carrasco. “Eu sou uma mulher que procura pautar o amor em primeiro lugar. E eu não me apaixono pela história de uma pessoa, me apaixono pela pessoa”, contou a atriz. Casada com o jogador Amaury Nunes, ela não descarta uma nova gravidez. Danielle já é mãe de Noah, fruto de seu relacionamento com Cássio Reis, e Guy, do casamento com Jonatas Faro. E ainda arrisca um palpite para o terceiro rebento: “Acho que vai ser menino”.
Você, em algum momento, seria capaz de tomar a mesma atitude da Amarilys?
Olha, é difícil essa pergunta, hein? Eu tenho filho, então fica difícil responder como Danielle. Mas se eu estivesse no lugar dela e não visse uma luz no fim do túnel, eu acho que sim. No caso da Amarilys, não é só pela amizade com o Niko (Thiago Fragoso), que é amigo de infância dela. É muito por ela também, é para dar uma amenizada nesse rombo que ela vem carregando ao longo da vida. Acho que eu faria o que ela está fazendo, sim. Se fosse para ajudar um amigo ou para amenizar um sofrimento…
Então, não é só um interesse financeiro?
Não mesmo. O último interesse dela é o financeiro. O interesse ali é emocional, ela quer tentar curar um pouco esse vazio. É um último suspiro para ela solucionar o problema e é também uma esperança de ser mais feliz com a maternidade.
E isso vai dar problema?
Sim. Alguma coisa vai acontecer e isso vai resvalar em alguém. Na verdade, ela se apaixona por um deles (por Eron, personagem de Marcello Antony). Não vai ser um triângulo amoroso. Por isso, vai haver um problema de aceitação aí.
Você seria capaz de namorar um cara com um passado gay, assim como vai acontecer com Amarilys?
Acho que o preconceito hoje em dia está muito forte em relação a muitas coisas. Parece que estamos tendo um retrocesso. Eu sou uma mulher que procura pautar o amor em primeiro lugar. E eu não me apaixono pela história de uma pessoa, me apaixono pela pessoa.
Mas não tem ciúme aí?
Ciúme é uma coisa inerente ao ser humano, não tem nada a ver se é homem ou mulher. Ele (o ciúme) existe independentemente disso. Só que, nesse caso (de um homem bissexual), abre-se um campo maior (risos). Mas eu sou pautada pelos meus sentimentos. Não consigo ter esse olhar: deixar de me apaixonar por uma pessoa em função de um histórico. Isso não seria um motivo para embarreirar uma relação.
Você saiu de ‘Malhação’ direto para ‘Amor à Vida’. Como foi essa troca de personagens num espaço de tempo tão curto?
Eu só tive uma semana fora do ar, mas já sabia da personagem da novela um tempo antes. Vim me programando, estudando, pesquisando para fazer essa mudança drástica para a Amarilys. E tem a coisa do sotaque, que me ajudou muito também, uma prosódia… Mas estou acostumada. A gente, às vezes, está fazendo teatro e televisão ao mesmo tempo. Faz parte do trabalho.
E quando é que você vai se casar com o Amaury (Nunes, namorado da atriz)?
Mas eu já me considero casada!
Mas é diferente.
Ahh, você quer a festa, é isso? (risos)
Ele curte festa de casamento?
Ah, não sei. Tem que perguntar pra ele!
Você pretende engravidar de novo?
Nunca digo nunca, não. Sou apaixonada por ser mãe, sou a favor das famílias e das novas famílias, como a que a novela está mostrando.
O Amaury é ciumento e mora distante. Como é a rotina de vocês a longa distância?
Ele já mora no Brasil, mas, de vez em quando, viaja. Agora, está participando de um campeonato de verão nos Estados Unidos. Ele terminou o contrato na Tailândia para morar no Brasil desde novembro do ano passado.
Ué, ele está no Brasil?
Tá vendo, Leo? Você fica o tempo todo no Twitter e não sabe (risos).
Ele já mora contigo?
Sim, sim.
Mas continua viajando?
Sim, ele viaja muito. Ele tem uma empresa de intercâmbio esportivo, a Next Level, que leva atletas de 18 a 22 anos para fora, para as universidades. Fora isso, ele está num time da Flórida e o campeonato termina agora no meio de julho.
Como é a sua rotina fora do trabalho? O que você gosta de fazer?
Eu moro numa casa. Então, curto muito ficar lá. Gosto de ficar com meus filhos no meu pouco tempo. O trabalho consome a gente diariamente. Quando dá tempo, eu levo os meninos ao teatro, ao cinema. Gosto de me divertir estando junto com eles. Também gosto de ir à festa de amigos, às vezes dançar um funk. Mas meu fim de semana normal é com eles.
É um desafio educar dois seres humanos?
É um exercício diário de intuição, de dedicação. Não tem cartilha. A gente vai vendo o que funciona e o que não funciona. Tem gente que não nasceu para ser pai e mãe, mas quem nasceu quer estar ali, junto do filho, porque você recebe muito mais do que você dá.
É bom viver cercada de homens?
Ah, eles são muito amorosos. Deve ser porque o primeiro amor do menino, no sentido figurado, é a mãe. Eu tenho amigas que têm meninas e elas dizem que é um pouco diferente. O menino tem uma dedicação, um apego com a mãe. Se eu tiver outro filho, acho que vai ser outro menino.
Por que você acha isso?
É uma intuição. Só uma intuição…
Como é seu relacionamento com o Jonatas (Faro) e o Cássio (Reis)?
Eu prefiro não falar da minha relação com os meus ex-maridos. Prefiro falar de hoje. Posso falar por mim, mas não posso falar por eles.
Você sempre é flagrada pelos paparazzi malhando. Quanto tempo você dedica ao corpo?
Procuro ter uma rotina na academia, mas com novela fica puxado. Vou no dia que estou mais livre, faço uma musculação, um aeróbico. Vou tentando. Faz parte da minha vida desde pequena, meu corpo é meu instrumento, é minha saúde. Com o pique de novela é que fica complicado.
O que falta para você se realizar como atriz?
Falta ficar bem velhinha tendo feito personagens de todas as idades. Os personagens vão ficando mais interessantes com a idade, o ator ganha mais bagagem, coloca as memórias emotivas dele no trabalho, porque o ator faz um trabalho de doação com o personagem. Não acredito nessa tese de que o personagem não tem nada do ator. É a batida do seu coração que está ali.
Você recebeu convite para ser mãe de um menino enorme em ‘Malhação’. Você tem problema com esse envelhecimento na TV?
Comecei muito nova na televisão, então, às vezes, fica difícil para que as pessoas aceitem que eu cresci e geralmente a gente acaba fazendo personagens mais novos do que a nossa idade real. Essa personagem de ‘Malhação’ para mim foi a glória. Que bom que posso ser mãe de adolescente também! E eu poderia muito bem ter um filho adolescente na minha idade real.
E na vida? Como você faz para ficar jovem?
Ah, a minha frase é “jovens, envelheçam”, porque é bem melhor. Os 20 anos são muito exaustivos, a gente fica numa batalha, é tudo pra ontem. E naquela idade a gente não entende que é uma coisa de cada vez. Com a idade, a gente ganha uma serenidade, apesar da ansiedade, que já faz parte do ser humano mesmo. Mas, com o tempo, você vai curtindo mais o dia a dia. Tem que ser feliz hoje porque o amanhã ainda não existe. A gente fica mais inteligente emocionalmente, é um presente.
E depois de ‘Amor à Vida’? Férias de cinco anos?
Ah, não. Não consigo. Férias eu vou querer, mas não tão longas.









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