O Dia
Sabe aquele cara boa-praça, sempre com um sorriso no rosto e pronto para falar uma palavra gentil? Este é Joaquim Lopes, que vive o divertido Lucindo, de ‘Sangue Bom’. Na novela, ele é aquele típico paulistano da Zona Norte, torcedor do “curíntia” e esbanjando sensualidade.
Na vida real, ele leva uma vida tranquila ao lado de sua “mulher”, Paolla Oliveira. As aspas estão aí porque Joaquim não quer saber de formalizar o relacionamento de quatro anos com a protagonista de ‘Amor à vida’, mas eles vivem, sim, como marido e mulher. No entanto, o fato de estar casado com uma das principais estrelas da Globo não significa nenhum tipo de privilégio na carreira de Joaquim. Na entrevista, o ator de 33 anos revela que já recebeu muitos “nãos” antes de conquistar seu espaço na TV. Encantem-se com a sinceridade e o talento de Joaquim Lopes.
Como foi compor seu personagem com aquele sotaque todo da Zona Leste de São Paulo?
Cara, eu sou paulista, meu sotaque é paulistano, mas Lucindo é da Zona Norte.
Faz diferença?
É uma musicalidade diferente, é “curíntia”, é “nóis” (risos). Quando vim para o Rio, tive que fazer fono para ficar com a voz mais neutra. Acho que vou ter que voltar a fazer fono depois da novela… (risos).
Lucindo tem um lado sensual forte. Ele ficou de sunga outro dia…
Ah, eu morro de vergonha! (risos).
É o personagem mais sensual da novela?
É o mais safado, com certeza. É o galã suburbano que gosta de carne.
Você sabia que ele ia ser assim?
Na sinopse, estava assim: “Emana virilidade de todos os poros”. Eu sabia que ele seria mulherengo.
E por que você fica com vergonha?
Eu fui um adolescente gordinho.
Essa alma de gordinho ainda está aí?
Acho que não. Fiz as pazes. E não tenho essa coisa toda com comida, não. Como bem e faço meus exercícios. A gente passa por coisas na infância que acabam nos tornando pessoas melhores.
Você sofreu bullying?
Ainda não se chamava bullying, mas sofri, sim.
Quando você emagreceu?
Dos 14 para os 15 anos. Fiz dieta, né? Todo mundo indo para as baladas, conhecendo as menininhas, e eu fiquei para trás. Para essa novela, eu fiz um treino diferenciado. De um ano para cá, estou malhando direto, fazendo ioga e jogando tênis.
Você fez algo radical para perder quilos extras?
Nada radical. Perdi oito quilos com malhação de segunda a sábado. Ah, e fechei a boca, claro! Não pode comer carboidrato depois das 18h. Açúcar, esquece! Álcool, esquece!
Você bebe?
Muito pouco.
Seu pai é médico, assim como seu irmão. Não pensou em seguir Medicina?
Meu primeiro vestibular foi para Medicina, meu irmão já estava no quarto ano da USP. Cheguei a passar na Unicamp. Mas aí eu comecei a ver a vocação do médico, meu irmão trabalhando que nem um cachorro, lidando com a dor do outro, horários malucos… Você se casa com a Medicina! Não tem aniversário de filho que te impeça de faltar a uma cirurgia.
Foi difícil anunciar que não seguiria a carreira?
Foi tranquilíssimo.
Não teve pressão?
A única obrigação que os meus pais me impuseram desde os meus 7 anos foi a seguinte: você tem que ser feliz. Minha mãe até me obrigou a fazer teatro depois (risos).
Mas por quê?
Porque eu tinha muita energia acumulada, imaginação fértil, sempre li muito e era muito inquieto. Ela achou que eu poderia canalizar tudo isso no teatro. Ela me matriculou, e eu não fui à aula. Levei a maior bronca. Ela me matriculou de novo, eu fui e me apaixonei.
Há mesmo um preconceito com o ator de teatro, né?
Você acha?
Tem muita gente querendo espaço?
Tem muito curso com charlatão, curso de um mês, isso sim. Existe a banalização de que qualquer um pode ser ator. Não é bem assim. Há pessoas com talento nato, claro, mas eu prefiro a vocação. Sou mais o cara que estuda. Eu gosto disso: melhorar pelo esforço.
Você é metrossexual?
Não. Minha vaidade vai de me vestir bem, ter uma roupa bacana, mas não sou desses que fica passando creme.
E botox?
Nunca.
Nem faria?
Nunca é uma palavra horrorosa. Talvez com 80 anos se eu estiver com um olho aqui (Joaquim brinca colocando a mão na altura do peito). Mas nem penso nisso.
O que você faz quando não está gravando?
Acordo, vou malhar… Não gravo todos os dias. Geralmente, gravo na parte da tarde. Quando chego em casa, dou uma olhada nas cenas do dia seguinte, releio algumas coisas. Se tiver tempo livre, leio um livro.
E fim de semana?
Sou caseiro, gosto de cozinhar, ler, ver filmes. Tenho visto um monte de séries. Estou enlouquecido com ‘Games of Thrones’.
O que é preciso para te tirar de casa?
Tem que ser algo interessante. Adoro ir ao teatro, por exemplo.
Você e Paolla têm funções na casa? Tipo divisão de tarefas?
A gente tem uma cozinheira, Shenia, que trabalhou na casa de uns portugueses. Então, ela faz umas coisas enlouquecedoras, como rabada com agrião e batata cozida.
Mas você faz algo em casa?
Não (risos). Ah, eu arrumo a cama nos fins de semana, mas não sou menino de condomínio, aquele que joga as roupas no chão (risos).
Você foi bem criado, né?
Sim, e não tenho vergonha disso. Tive uma infância privilegiada, estudei num colégio incrível em São Paulo, tive a oportunidade de fazer intercâmbio, fui para Los Angeles, Boston, Barcelona e Paris, mas sempre estudando. Nunca fui mimado, nunca teve essa história de “fica tranquilo, filhinho, que o papai resolve”. Meu pai sempre disse que eu tinha que batalhar pelas coisas, me esforçar.
Você é contratado da TV Globo?
Não. Sou contratado por obra, fiz ‘Morde & Assopra’ e agora estou fazendo ‘Sangue Bom’
Quem te falou que você é bom em humor?
Ninguém! Fiz testes para os papéis, já tinha feito três testes e não tinha rolado.
Três testes?
Isso foi depois de ‘Morde & Assopra’. Antes, eu tinha feito sete testes para novelas da Globo. Mas isso é bom!
É bom por quê?
Você sabe que está ali porque foi o melhor no teste, não tem outro motivo. E fico feliz por ser um trabalho com o Dennis Carvalho (diretor de núcleo) e com a Maria Adelaide (Amaral, autora da trama junto com Vincent Villari). Ela faz um texto que cabe na boca do ator. Além disso, existe a liberdade de criação do próprio ator, e isso faz com que você não se sinta um fantoche.
As pessoas apontam outros motivos para você estar na Globo?
Muita gente falou que era por causa da Paolla (Oliveira). Mas eu não estou na Globo por causa da Paolla.
E o que você faz?
Não tem o que fazer, só posso mostrar o meu trabalho. Eu não comecei com novelas, já estava trabalhando como ator há 13 anos.
Paolla trabalha muito. Ela não tem férias?
Ela é CDF. Nas férias, aproveita para se reciclar, faz cursos, etc.
Você não vai ser pai?
Tenho muita vontade, mas eu e a Pa (como Joaquim chama Paolla) encaramos isso com muita responsabilidade. Trazer uma criança para o mundo não pode ser uma coisa leviana. Tem que haver dedicação, e nós estamos trabalhando muito.
Não vai ficar tarde?
A Pa tem 31 anos. Minha mãe me teve com 41. Imagina o que era gravidez de risco naquela época.
Vocês pretendem formalizar a união?
Não vejo essa necessidade da coisa formal, moramos juntos. Não precisamos de anel. Já somos casados.
Mas nem festa?
Festa é sensacional, mas no país em que a gente vive você acha normal uma pessoa gastar R$ 200 mil numa festa que vai durar seis horas?
Você está mesmo pensando nisso?
Não é por causa disso, mas o meu conceito é diferente. Não precisa disso para que o casamento aconteça.
Mas não é bonito trocar aliança, passar seu nome para ela?
Eu não acho.
Você sempre pensou assim?
A sociedade coloca a gente no esquema. Nascemos, crescemos, casamos, nos reproduzimos e morremos. É o padrão. Mas a gente cresce e aprende que o casamento se faz no dia a dia, nos pequenos gestos.
Tem a ver com o fato de vocês quererem uma vida privada?
Se a gente casar em Pirapora do Bom Jesus, as pessoas vão saber. Não é por isso.
Não tem trauma aí por causa do seu casamento com a Thaís Fersoza?
Nenhum, juro por Deus.
As pessoas ainda te consideram o vilão do casamento com a Thaís?
Nunca falei desse assunto porque envolve a vida pessoal de muitas pessoas. Como sou reservado, acredito que as pessoas também sejam assim.
Como começou o relacionamento com a Paolla? Foi no (filme) ‘Uma Professora Muito Maluquinha’ (em que contracenaram juntos e Joaquim ainda estava com Thaís)?
Não, cara. Lógico que foi depois. A gente se conheceu ali apenas. Começamos a namorar cinco meses depois do filme.
Para encerrar: o que é que a gente não sabe sobre você?
Que eu sou um cara tímido. Quando chego a um lugar onde não conheço as pessoas, eu demoro um tempinho para ficar à vontade.









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