O Dia
Chamado de príncipe pelos colegas do ‘The Voice’, Daniel faz jus ao título. Conhecido por sua gentileza, o cantor até beija a mão das mulheres que escolhe para compor seu time no programa da Globo. Embora ache que não seja merecedor do apelido, o sertanejo de voz calma é carinhoso até para falar de suas ex-namoradas.
Na entrevista a seguir, Daniel conta que, depois da morte do seu companheiro de dupla, João Paulo, sua vida amorosa ficou bem agitada. “Foi uma questão de fuga. Fiquei com fã que conheci na porta de hotel, mas em nenhum momento deixei a responsabilidade de lado”, admite ele, que hoje é casado com a bailarina Aline de Pádua e pai de Lara e Luiza.
O que você está achando dessa edição do ‘The Voice Brasil’?
Não sei se é porque estou num estado de espírito diferente, mas, até então, esta edição tem sido a melhor pra mim. Sei que quando o primeiro acontece é tudo novo, desconhecido e existe uma emoção muito forte, depois vem o segundo que também é bacana, mas neste estou numa fase muito boa, vivendo um amadurecimento. Vejo o ‘The Voice’ num âmbito geral muito melhor, e isso inclui a forma como estamos nos portando. Estamos um pouco mais à vontade, apesar do nervosismo, que é uma coisa natural.
O que você espera do seu time?
Espero que eles consigam dar tudo de si. O projeto é maravilhoso, mas não nos oferece muito tempo para pensar em muita coisa, então, não podemos titubear. Cada etapa é crucial.
Você é um dos últimos técnicos a fechar o time. Você é muito rigoroso?
Não, acho que cada um tem um jeito, uma forma de ser. A demora na virada da cadeira tem a ver comigo mesmo, com a minha forma de ser. É de pensar um pouco mais, de ter certeza daquilo que vai fazer.
Aproveitando que estamos falando do seu jeito, como é lidar com pessoas tão diferentes como Carlinhos Brown, Claudia Leitte e Lulu Santos?
No começo eu confesso que foi um pouco complicado para mim, e este ano estou mais à vontade. Sei que tudo tem uma hora certa e a gente pode se soltar um pouco mais, mas sem perder meu jeito de ser. Não que eu ache que eles são irresponsáveis. Pelo contrário! É que cada um lida com sua responsabilidade de uma forma. Eu já sou assim, mais compenetrado, sou mais introspectivo, então talvez eu transmita isso para as pessoas. Daí, acabo tendo a conotação de ser mais exigente, e não é isso. Todo mundo ali é.
Você já se arrependeu de não ter virado a cadeira para alguém?
Vou citar três vezes. Uma delas, o cara era meu amigo. Isso aconteceu na primeira edição. Eu conhecia ele há anos e fiquei depressivo alguns dias por não ter apertado aquele botão. Houve também um lance quando não virei a cadeira para o índio. Se eu soubesse que era ele, que tinha aquela história por trás da voz, seria escolhido pelo todo. Nesta edição, eu não virei para o rapaz que é cego. Eu não virei até porque tivemos uma ordem dos ‘deuses’ para avaliar bem essa etapa, já que estávamos praticamente com os times completos. Era para a gente apertar o botão se achasse que a voz era uma sumidade e, naquele momento, não foi para mim.
Você passa uma serenidade muito grande. O que te aborrece?
Eu sou um cara que demora a sair do sério, mas, quando saio, fico irreconhecível (risos). Não gosto das coisas fora do lugar. Tipo assim: a gente atinge uma certa idade e fica sem paciência com algumas coisas. Num show, tenho obrigação de passar boas energias para as pessoas, independentemente de qualquer coisa, e me aborreço muito quando no meio do caminho acontece alguma coisa para atrapalhar esse resultado. Sou virginiano e gosto das coisas certas. Eu também erro, mas faço de tudo para não errar. A pessoa desleixada me deixa p. da vida. Em casa também. Eu gosto de deixar a chave, o documento e o meu celular em um lugar específico. Aí, a pessoa, por um motivo qualquer tira do lugar e não coloca de volta. Isso me deixa aborrecido de verdade.
Você é chamado de príncipe. Você sempre teve esse jeito? Isso tem a ver com a sua criação?
Tem a ver, sim, com a minha criação. Eu até me surpreendi quando o Lulu (Santos) me chamou assim no programa. Na minha cidade, as pessoas me chamam de Príncipe de Brotas. Eu jamais imaginei que teria um título como esse. Eu sou o que sou e herdei isso desde pequeno. Faz parte da minha natureza, e acho que isso tinha que existir em todas as pessoas. Entendo que é o mínimo que podemos fazer. A pessoa tem que saber se portar, ser gentil, dar atenção às pessoas, que é o que procuro fazer no meu dia a dia. Fico lisonjeado com o título, mas sei que não sou príncipe. Sou do meu jeito.
Você é vaidoso?
Ah, eu tenho as minhas vaidades. Não sou extremamente vaidoso, não, mas eu me preocupo com a minha saúde e, às vezes, também com meu corpo. Sabe aquelas coisas de engordar um pouco mais… Isso me preocupa. Eu acho que minha mulher me ajudou. Eu era muito relaxado com isso e melhorei por causa dela. Eu procuro me cuidar. Como salada e bebo bastante água, mas não tenho uma vida regrada. Minha média de sono é de três, quatro horas. Quando estou em casa, durmo umas sete horas. Tem meu cabelo também. Há um tempo, comecei a perder cabelo, nada contra os carecas, mas eu queria ter cabelo (risos). Fui em alguns médicos e eles me provaram que eu tenho que cuidar do que tenho na cabeça. O que já foi foi.
Falando de visual, no ‘The Voice’ você é bem estiloso. Você participa da escolha dos figurinos?
Participo, sim. Eu tenho os meus gostos, não sou exigente, mas me identifico com determinadas roupas.
Você teve crise de idade com a chegada dos 40 anos?
Ainda não, graças a Deus (risos). Eu tive um pouco assim: a coisa de mexer com a gente ao se olhar no espelho e ver um cabelo branco. Mas o que quero para mim é envelhecer bem. Já pensei várias vezes em colocar botox, mas fico naquela coisa de fazer ou não. Acho que recorro à estética se tiver alguma coisa a ver com saúde.
Você é muito religioso e sempre está mencionando mensagens de fé. Você inclusive presenteia algumas pessoas mais próximas com imagens de Nossa Senhora da Aparecida, não é verdade?
É, sim. Minha família toda é católica e tenho isso como estrutura mesmo. Sou católico, tenho minha fé e uso isso para o meu benefício. Fui coroinha, participei de grupo jovem da igreja e, desde muito novo, tive uma coisa com Nossa Senhora da Aparecida. É uma fé muito grande, tenho carinho especial por ela. Acho que a gente precisa trabalhar nosso espírito. Eu sempre fui ao Santuário de Aparecida do Norte, em São Paulo, desde a época do João Paulo.
Qual é a maior recordação que você tem da sua infância?
Acho que a maior marca da minha história foi o primeiro momento em que estive na escola, aos 5 anos de idade. Tenho isso entranhado em mim, me marcou muito. Foi na época que comecei o jardim de infância. Sou muito saudosista nesse sentido. Depois do colegial, eu me dediquei à música e foi o caminho que segui.
O que você acha da nova geração dos sertanejos?
Curto pra caramba. Quando se trata de música, e sendo bem feita, independe de classe e gênero.
Você recentemente declarou que pretende ter mais filhos. É pra agora?
A vontade eu tenho. Chegou num momento em que estamos mais conscientes nesse sentido. Não de planejar, mas também estamos naquela situação de que, se tiver que acontecer, vai acontecer. E, se for pra ser, que seja da melhor forma possível, que venha com saúde.
Os sertanejos de uma forma geral têm uma vida amorosa muito agitada. Como foi a sua?
Olha, vou dizer, eu tive uma vida muito regrada nesse sentido e, ao mesmo tempo, vivi. Na minha biografia, acabei expondo nomes que fizeram parte da minha vida. De tudo o que vivi até aqui, não me arrependo de nada, pelo contrário, eu acho que sempre fui muito responsável em cada atitude e com cada pessoa que passou pela vida. Houve momentos passageiros, rápidos, mas com consistência e qualidade. Tiveram pessoas que até hoje estão na minha vida. Eu tive meus momentos cruciais quando, por exemplo, o João Paulo partiu. Foi uma questão de fuga, de extravasar, que foi o momento em que fiquei com mais mulheres. Fiquei com fã que conheci na porta de hotel, mas em nenhum momento deixei a responsabilidade de lado. Acabei citando nome, que gerou desconforto, mas por que eu vou falar de alguém que fez parte da minha vida se ela não tivesse sido importante? É porque foi muito importante.
Se arrependeu de ter citado a Suzana (ex-Tiazinha) na sua biografia?
Não, jamais. Sabe por quê? Como te disse, se foi colocado, foi de caso pensado. A biografia não foi só uma pretensão minha. Lógico, se você está se propondo a um trabalho como esse, podem vir resultados positivos e negativos. Mas não teria como falar da minha história sem citá-la. Ela teve uma passagem importante mesmo. Eu me apaixonei. Na época, ela dava vida a uma personagem extravagante e, se eu quisesse aparecer, teria exposto naquela época. O que me arrependo, e ao mesmo tempo não me arrependo, é de não ter tido uma conversa antes com ela. Mas isso não foi uma atitude minha, a conduta veio da própria editora. São eles que estão trazendo o livro e acho que eles teriam que se preocupar com isso. Ela vai interpretar da forma dela. Mas, pelo que conheço dela, não acredito nessa história de processo que estão falando. Ela é formidável. Espero que ela entenda que, se citei, foi porque ela foi muito importante. Suzana foi uma coisa consistente. Não creio que ela negue.









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