Uma das vítimas foi identificada como Itarauí Santana de Souza, um indígena que residia na região. Seu corpo foi achado às margens de rodovia.

Dois homens foram encontrados mortos na tarde desta quarta-feira (9), em uma estrada que dá acesso à comunidade de Barra Velha, zona rural de Porto Seguro, extremo sul da Bahia. O local é conhecido por ser palco de constantes conflitos agrários entre indígenas e produtores rurais. Uma das vítimas foi identificada como Itarauí Santana de Souza, um indígena que residia na região. O corpo dele estava caído às margens da estrada, junto com o da segunda vítima, cuja identidade ainda não foi divulgada. Ambos apresentavam marcas de tiros.
Continua após a publicidade:
A Polícia Militar foi acionada por volta das 15h através do 8º Batalhão da PM, que deslocou equipes ao local. Após a confirmação dos óbitos, o Departamento de Polícia Técnica (DPT) foi acionado para realizar a perícia e remover os corpos. Os cadáveres foram levados para exames necroscópicos, mas até o fechamento desta edição não havia informações sobre sepultamento ou sobre possíveis motivações e autores do crime.

Segundo apurado pelo Blog do Marcelo, a polícia investiga se o duplo homicídio está relacionado aos conflitos recentes na região, que têm ganhado notoriedade nacional nos últimos meses. A Força Nacional de Segurança Pública está presente no município desde abril e permanecerá até o final de julho com o objetivo de conter a violência.

Nos últimos dias, a atuação da força policial tem gerado reações por parte de lideranças indígenas locais. Na sexta-feira (4), agentes da Força Nacional foram cercados por um grupo de manifestantes após prenderem cinco homens armados. Diante da pressão, os policiais acabaram liberando os suspeitos, mantendo apenas as armas apreendidas. Dois dias antes, Welington Ribeiro de Oliveira, cacique Suruí Pataxó conhecido por sua militância em defesa dos direitos indígenas, foi detido juntamente com outros três indivíduos, entre eles dois adolescentes.
Em resposta às prisões, grupos indígenas bloquearam durante seis horas trechos da BR-101, na entrada do Parque Nacional Monte Pascoal. O protesto foi retomado posteriormente, com uma nova interdição que durou 36 horas. A Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme) emitiu nota repudiando as ações da polícia, afirmando que Welington Ribeiro sofre ameaças há anos e que sua prisão teria sido arbitrária. O clima na região segue tenso, com moradores relatando medo e insegurança diante da escalada da violência e da falta de respostas concretas por parte das autoridades estaduais.












@vitoriadaconquistanoticias
Grupo WhatsApp