do O Globo
O serviço Bebo foi vendido pela AOL em meados de junho. Receita atingiu US$ 584,1 milhões entre abril e junho deste ano.
A empresa de internet AOL inc. apresentou prejuízo de US$ 1,06 bilhão no segundo trimestre (perda de US$ 9,89 por ação) ante um ganho de US$ 90,7 milhões (US$ 0,86 por papel) em igual período do ano passado.
A empresa voltou ao vermelho principalmente por fatores contábeis. A AOL reconheceu uma despesa de US$ 1,41 bilhão com a depreciação de ativos intangíveis no segundo trimestre – relacionados à queda no valor das ações desde abril e à venda da rede social Bebo.
O serviço Bebo foi vendido pela AOL em meados de junho por um valor não divulgado, dois anos após sua aquisição pela empresa americana por US$ 850 milhões. Fontes ouvidas por agências internacionais estimaram que o preço da venda tenha sido inferior a US$ 10 milhões.
A AOL destacou que continua se desfazendo de operações que não estão em seu foco de negócios, citando as vendas recentes do comunicador instantâneo ICQ, da rede social Bebo e da empresa de análise de dados DMS Insights, bem como de uma participação minoritária na empresa de comparação de preços online para viagens Kayak Software Corporation.
A receita da companhia atingiu US$ 584,1 milhões entre abril e junho deste ano, apresentando queda de mais de 35% quando comparada ao resultado de US$ 791,5 milhões obtido no segundo trimestre de 2009.
A empresa, que foi separada do grupo de mídia Time Warner em dezembro de 2009, observou queda de 27% nas receitas com publicidade online e de assinaturas. Em anúncios publicitários a receita caiu de US$ 407,2 milhões no segundo trimestre de 2009 para US$ 296,9 milhões entre abril e junho deste ano.
No segmento de assinaturas, a receita da empresa teve redução de US$ 355,7 milhões entre abril e junho de 2009 para US$ 260,2 milhões no segundo trimestre fiscal deste ano. A AOL perdeu de 25% de sua base de assinantes em um ano, embora, segundo a companhia, a média de cancelamentos tenha caído 2,6% entre abril e junho, abaixo os 3,5% verificados no segundo trimestre de 2009.
“No segundo trimestre, demos continuidade aos esforços para reposicionar a AOL com sucesso para o crescimento e a companhia está tornando-se cada da mais saudável”, disse o presidente e chefe-executivo da AOL, Tim Armstrong, em um comunicado da empresa. “Embora tenhamos metas muito mais significativas para o futuro da AOL, estamos satisfeitos com as tendências internas e externas deste trimestre.”
História de sucesso e decadência
A AOL iniciou suas atividades, como uma aventura chamada “Control Video”, uma empresa cujo produto era um serviço Online chamado Gameline para o videogame Atari 2700. Os assinantes compravam um modem da empresa por US$49,95 e pagavam uma taxa de instalação de US$15,00. A Gameline permitia então aos assinantes, fazer download temporário de jogos e manter estatísticas de pontuação a um custo de aproximadamente US$1,00 por hora. Em 1983 com empresa praticamente falida, um especialista em video game chamado Steve Case assume o comando da empresa.
Case muda a estratégia da empresa e em 1985 lança uma espécie de mega-BBS para computadores comodore 64 e 128, originalmente chamado de Quantum Link (“Q-Link”). Ele também alterou o nome da empresa para “Quantum Computer Services”. Em outubro de 1989, a Quantum lançou seu serviço AOL para computadores Apple II e Macintosh, e em fevereiro de 1991 o serviço para maquinas DOS. Em outubro de 1991, mudaria o nome de Quantum para “America Online”. Estas mudanças iniciaram um tremendo incremento no número de serviços de BBS pagos, o mesmo ocorrendo com seus competidores na época Prodigy e Compuserve.
No início da década de 1990, AOL foi uma das primeiras empresas provedoras de serviços a darem aos seus clientes, acesso a Internet fora das Universidades e da área militar. Eles também enfatizavam o uso de uma interface gráfica com o usuário relativamente fácil de utilizar. Desta forma, foram primeiramente associados aos novos usuários, que desconheciam as regras de Etiqueta na Internet, que entraram Online neste período.
AOL manteve uma estratégia de marketing massiva, enviando disquetes e CD-ROMs para mais de 100 milhões de casas, que permitiu um grande crescimento e ajudou os a dominar o segmento Online. Como reação a política de marketing, em agosto de 2001, foi lançada uma campanha “Não mais AOL CD-ROMs”. A estratégia da campanha era de coletar um milhão de CD-ROMs da AOL e envia-los de volta a companhia em um comboio de caminhões. Um membro da AOL, que não entendeu o ponto da campanha, prometeu enviar uma grande quantidade de CDs da AOL quando estivessem perto da marca de um milhão. Outros utilizavam os discos como colecionáveis pois tinham uma infinidade de motivos gráficos.
No final da década de 1990 e início de 2000, a AOL inicia suas aquisições. Abaixo algumas da empresas compradas pela AOL:
- CompuServe
- NaviSoft’s NaviServer (mais tarde passou a se chamar AOLserver), comprada em 1994.
- Nullsoft (desenvolvedor do Winamp), comprada em 1999 por US$86 milhões
- Netscape
- ImagiNation Network (I.N.N.) da AT&T em 1996
- Mirabilis (desenvolvedor do ICQ)
Em 2000, a AOL se juntou a Time Warner. Em março de 2004, amplamente convencidos de que a junção foi um erro caro para a nova empresa, ficou acordado que a Time Warner mantivesse discussões com a Microsoft em transferir sua divisão AOL. De acordo com o jornal New York Post, o possível acordo incluiria o pagamento por parte da Microsoft da compra da AOL e ainda assumiria suas dívidas, assim como um investimento pela Microsoft na Time Warner Cable (divisão de TV a cabo da Time Warner). Nenhuma das empresas confirmam qualquer tratativa a respeito, mas os jornais afirma que existem poucos obstáculos para que a Microsoft assuma o controle da AOL. (New York Post 19 de março de 2004). Este tipo de atigo, seguidamente aparece na mídia sem uma comprovada veracidade.
Rapida passagem pelo Brasil
No Brasil, a AOL chegou em novembro de 1999, com a promessa de ser o “maior provedor de internet do país”, porém problemas tecnicos com os CDs de instalação e também a quantidade deles causou uma má imagem da empresa por parte dos brasileiros. A empresa não conseguiu os mesmos resultados conseguidos no Estados Unidos e com um prejuizo de US$ 182 milhões em toda a América Latina (segundo o pedido de concordata da AOL Latin America), a AOL Brasil fechou suas portas oficialmente, no dia 17 de março de 2006. A sua base de assinantes (fontes ligada a empresa disseram que era aproximadamente 200 mil assinantes, relativamente muito baixo) foi vendida para o provedor Terra. A má administração foi sem dúvida um dos motivos da falência da empresa.












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