A Tarde

Vinte e cinco pessoas foram presas, neste domingo, 3, na Bahia acusadas de fazer boca de urna nas imediações das seções eleitorais, prática que é considerada ilegal. Nenhum caso foi registrado em Salvador.
Uma pessoa foi presa por policiais militares na cidade de Pojuca acusada de fazer boca de urna para o PT próximo ao Colégio Castelo Branco, mas a juíza Maria de Lurdes Melo, da 200ª zona eleitoral, liberou José Jusafá Andrade de Sena alegando que não tinha prova que ele estava cometendo alguma irregularidade. Ela reclamou da dificuldade em provar a ilegalidade.
Apesar de ninguém ter sido preso em Salvador, a reportagem flagrou boca de urna em alguns locais de votação na cidade. Militantes distribuem propaganda de candidatos em frente e dentro da zona eleitoral do campus da Universidade Católica de Salvador (Ucsal), na Cardeal da Silva, e também no Colégio Pedro Calmon, em Armação.
A reportagem de A Tarde recebeu dois santinhos de Aladilce, candidata a deputada estadual, e Sérgio Barradas Carneiro, que concorre à vaga de deputado federal, na região da universidade. Apesar da movimentação dos cabos eleitorais, a votação acontece tranquilamente no campus, que é localizado no bairro da Federação.
A rua General Braulio Guimarães, onde fica o Colégio Pedro Calmon, está repleta de santinhos espalhados no chão e militantes tentam conquistar os votos dos indecisos. Pessoas contratadas pelos partidos políticos também distribuem santinhos em frentes às seções da Soledade, Lapinha e Barbalho. A reportagem não avistou repressão ao crime nesses locais.
Cristiana Lima foi uma das contratadas para distribuir 200 santinhos em frente ao Complexo Escolar Almirante Barroso, em Paripe. “Se aparecer carro da polícia (viatura) vou correr. Eu vou ficar, é? Sei que é proibido”, disse a mulher que vai receber R$ 30 pelo dia de trabalho.
A reportagem não localizou fiscais ou policiais militares reprimindo a boca de urna na 4ª Zona, em Paripe. Já em Fazenda Grande II e IV, PMs impedem a propaganda eleitoral nas imediações das zonas de votação. De acordo com policiais da 3ª CIPM, que estavam em frente ao Colégio Cecy Andrade, em Fazenda Grande VI, a orientação é impedir a boca de urna no raio de 100 metros das seções eleitorais. Após essa delimitação, a distribuição de santinhos é permitida.
Já no Beco da Cultura, no Nordeste de Amaralina, militantes fazem boca de urna na frente de policiais militares, que ignoram a irregularidade. Questionado pela reportagem por não reprimir a ação, os policiais alegam que a propaganda acontece no raio de 100 metros dos colégios eleitorais, apesar do fato acontecer a cerca de 10 metros da seção.
A pena para quem é flagrado fazendo boca de urna é detenção de seis meses a um ano e multa de 5 mil a 13 mil Urfis. O preso pode pagar fiança e ser liberado. O valor é estipulado pelo delegado.
Voto digital – Os 22 mil eleitores que votam no município de Pojuca testam pela primeira vez o voto através de identificação da digital. A cidade da Região Metropolitana de Salvador é a única a testar essa ferramente este ano na Bahia. Apesar da novidade, a votação corre tranquilamente neste domingo.
Se o voto digital não atrapalha, os eleitores reclamam de longas filas nas 66 seções por causa da demora em registrar o voto para deputado estadual, federal, os dois senadores, governador e presidente. Até as 11h20, nenhuma das 74 urnas apresentaram defeito.
Início da votação – Os eleitores da 14ª zona eleitoral, do Colégio João Pedro dos Santos, localizado na Bonocô, acordaram cedo para votar. Desde 6h, dezenas de pessoas formavam filas em frente à escola, aguardando a abertura dos portões, que aconteceu às 7h.
O mesmo aconteceu no Colégio Luiz Viana, em Brotas, que concentra o maior número de eleitores na Bahia, cerca de 18 mil pessoas. Quando os portões foram abertos, às 8h, dezenas de eleitores correram para garantir um lugar na fila de uma das 40 seções que funcionam no local.
Após a correria, a votação acontece normalmente no local. Um fiscal da Justiça Eleitoral impede a presença de militantes fazendo boca de urna.
Trânsito – Quem vota em Fazenda Grande II e IV enfrenta fila e engarrafamento nas imediações dos colégios eleitorais. É o que acontece ao redor da Escola Estadual Doutor Eduardo Baiano e no Colégio Estadual D. Leonor Calmon, ambos na rua Jaguaribe, em Fazenda Grande IV. O motorista que passa pelo Beco da Cultura, no Nordeste de Amaralina, também enfrenta congestionamento.
Dificuldade – Os eleitores que foram votar no Complexo Escolar Almirante Barroso, em Paripe, sem saber sua seção, enfrentam dificuldade em localizar esta informação. Eles alegam que a ligação para o Disque-Título (3373-7373), canal disponível para o cidadão ter acesso a informações sobre eleição, é paga e que algumas coordenações de seções não disponibilizam um telefone para o eleitor fazer a ligação. Portanto, quem está sem celular ou sem crédito não consegue localizar sua seção.
O catador de latinha, Alberto de Jesus, 54 anos, que está usando muleta por conta de uma operação no pé, teve dificuldade de encontrar sua seção. Ele foi no colégio onde sempre votou, mas descobriu que sua seção mudou. Alberto teve que percorrer três colégios eleitorais até conseguir votar.
Coordenadores de algumas seções, que dispõem de computadores, ajudam os eleitores a encontrar o local de votação. É o que acontece nos colégios estaduais Manoel Devoto, no Rio Vermelho, e Carlos Santana, em Nordeste Amaralina.
Para evitar transtorno, o eleitor pode verificar seu local de votação através do site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É possível consultar pelo nome, data de nascimento, nome da mãe ou número do título.
Cidade Baixa – Nos bairros de Paripe, Tubarão e Fazenda Coutos, o clima é animado neste domingo de eleições. Moradores contrataram um carro-de-som e aproveitam o dia ao som de pagode. Quem comemora é a vendedora de churrasquinho Jailma de Jesus Silva. Ela, que normalmente vende 25 churrasquinhos por dia, dobrou as vendas entre 8h e meio-dia. “Está todo mundo na rua, então está vendendo muito. O pessoal está muito animado”, disse.
Justificativa – Até as 10h30 deste domingo, 1.500 pessoas justificaram a ausência nesta eleição no Colégio Estadual Manoel Devoto, no Rio Vermelho. Esse número é considerado alto pelos coordenadores desta seção eleitoral.









@vitoriadaconquistanoticias
Grupo WhatsApp