Compliance Zero: PT encomenda pesquisa às pressas para medir impacto do “efeito Jaques Wagner” na campanha de Lula
Aliados de Lula avaliam danos após operação contra o senador baiano, nesta quinta-feira (18) e tentam afastar presidente da crise.

A coordenação da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou em alerta máximo para medir os reflexos eleitorais da recente ação policial que mirou o senador Jaques Wagner (PT-BA). O foco dos estrategistas agora se volta para a mensuração do real impacto do episódio na popularidade do mandatário, o que deve ser monitorado por meio de pesquisas de opinião encomendadas para os próximos dias. A intenção da cúpula petista é rodar esses levantamentos quantitativos e qualitativos na próxima semana, permitindo que o assunto decante e que o eleitorado processe as notícias antes que os dados sejam coletados. A preocupação central reside em uma nítida mudança de conjuntura política. Até então, o escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e seu ex-sócio, Augusto Lima, vinha sendo explorado pela base governista para desgastar a oposição, devido às ligações conhecidas do grupo financeiro com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A entrada de Wagner no radar das investigações, no entanto, quebra essa narrativa ao arrastar uma das figuras mais proeminentes do PT e atual líder do governo no Senado para o centro do caso, equilibrando o peso do desgaste entre os dois lados.
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A estratégia inicial desenhada pelo entorno de Lula, que visava isolar completamente o Palácio do Planalto do episódio, acabou naufragando devido à postura do próprio senador baiano. Ao vir a público declarar que recebeu um telefonema de solidariedade do presidente e assegurar que não cogita abrir mão do cargo de liderança, Jaques Wagner acabou vinculando diretamente a figura de Lula à crise, criando o pior cenário para os assessores presidenciais.

Diante do impasse, interlocutores da campanha passaram a defender uma reação imediata e assertiva. A sugestão que ganhou força nos bastidores é a de que o presidente aproveite sua agenda oficial em Minas Gerais, programada para esta sexta-feira (19), para fazer um pronunciamento público contundente, deixando claro que o aliado precisa dar explicações robustas às autoridades. A avaliação interna é que uma fala dura ajudaria a restabelecer a distância necessária entre o governo e as suspeitas. O clima de desconfiança mútua aumentou após as últimas manifestações do parlamentar. Conforme apurado pela colunista Bela Megale, de O Globo, a entrevista concedida por Wagner à Bandnews — na qual ele condicionou sua saída da liderança exclusivamente a uma determinação direta de Lula — foi interpretada por membros do governo e do partido como um movimento calculado de autoproteção, uma tentativa de usar o peso político do Planalto como escudo contra o avanço das investigações.









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