Deu ruim: Dois ex-BBBs criam “reality” com seus funcionários e viram alvo do MPT e do Tribunal Superior do Trabalho
Reality show envolvendo funcionários domésticos do casal de influenciadores Viih Tube e Eliezer é retirado do ar após enxurrada de críticas e entra na mira do Ministério Público.

A tentativa de transformar o cotidiano doméstico em espetáculo rendeu forte repercussão negativa e desdobramentos jurídicos para o casal de influenciadores Viih Tube e Eliezer. Sob o slogan de que se tratava, literalmente, do reality da própria casa, o programa intitulado “As Patroas” pretendia mostrar 11 funcionários dos ex-BBBs disputando um prêmio de R$ 20 mil. A produção estreou em um canal do YouTube e nas redes sociais dos criadores de conteúdo, mas a permanência no ar não durou sequer um dia. Diante de uma onda de questionamentos do público sobre os limites da exposição na relação entre patrões e empregados, os vídeos foram deletados menos de 24 horas após a publicação. O caso rapidamente extrapolou a esfera do entretenimento digital e acionou os órgãos de fiscalização trabalhista.
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O Ministério Público do Trabalho em São Paulo instaurou um procedimento oficial para investigar os fatos, confirmando que agiu após tomar conhecimento da iniciativa por meio dos canais de imprensa. Paralelamente, o Tribunal Superior do Trabalho utilizou suas plataformas digitais para emitir um alerta institucional abrangente.
Vídeo de apresentação do “reality”:
O reality show As Patroas, criado pelos ex-BBBs Viih Tube e Eliezer, tem gerado críticas nas redes sociais desde a estreia. Na atração, 11 funcionários da família, entre babás, motorista, cozinheira e governanta, disputam prêmios em dinheiro e benefícios no ambiente de trabalho. pic.twitter.com/s7ehQZsVIV
— Ana Cássia (@anacassia____) July 1, 2026
Sem mencionar nominalmente os envolvidos, a corte superior enfatizou que a submissão de trabalhadores a contextos constrangedores ou humilhantes configura assédio moral. O tribunal reforçou que os preceitos constitucionais de dignidade humana se aplicam rigorosamente ao ambiente doméstico e que o respeito mútuo é uma obrigação legal, rechaçando a ideia de que a humilhação possa ser convertida em diversão pública.

A complexidade jurídica da iniciativa expõe uma linha tênue entre o poder diretivo do empregador e os direitos fundamentais do cidadão. De acordo com especialistas em Direito do Trabalho, o contrato de emprego convencional não confere ao patrão o direito automático de explorar comercialmente a imagem de seus colaboradores. Como esse tipo de produção gera lucros e engajamento financeiro direto para os influenciadores, seria obrigatória a formulação de um contrato à parte, com remuneração específica e em total conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados, dissociado das obrigações do trabalho rotineiro. Segundo apurado pelo Blog do Marcelo, a vulnerabilidade do trabalhador em recusar tais propostas por receio de represálias invisíveis, como a demissão ou a perda de benefícios, é um dos pontos que mais preocupam as autoridades e analistas do setor, uma vez que a voluntariedade nesses cenários é frequentemente posta em xeque.

Do ponto de vista legal, o empregado doméstico mantém o direito inalienável de revogar sua participação a qualquer momento, visto que a imagem é um direito de personalidade protegido por lei. Caso a exposição resulte em episódios vexatórios ou atraia ataques de internautas, os idealizadores do projeto podem responder por danos morais e civis na Justiça do Trabalho, que já possui jurisprudência firmada contra dinâmicas abusivas disfarçadas de dinâmicas corporativas. Além disso, o tempo gasto em gravações fora do expediente usual precisaria ser contabilizado e pago como hora extra. Os influenciadores Viih Tube e Eliezer, bem como o Ministério do Trabalho e Emprego e o próprio Tribunal Superior do Trabalho, foram formalmente procurados para apresentar esclarecimentos detalhados sobre as denúncias e o andamento das apurações, mas nenhuma das partes enviou respostas oficiais até o fechamento desta reportagem.








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