Tribuna da Bahia
Depois de dois anos sem vir ao estado – a última vez foi na condecoração do título de cidadão baiano -, o senador Aécio Neves (PSDB) inaugurou ontem, na Bahia, um ciclo de viagens pelo Brasil para convocar lideranças a formatarem um “novo projeto para o país”.
Apesar de não assumir a candidatura à sucessão ao Palácio do Planalto em 2014, e atribuir a “presidência ao destino”, se referindo a uma frase de seu avô Tancredo Neves, o tucano deu claros sinais de que já começou a sua pré-campanha para ser o nome da oposição na disputa pelo comando da nação.
O senador cumpriu uma agenda política na capital baiana, organizada pelo PSDB e DEM, e em Dias D’Ávila, onde participou de inaugurações, a convite do deputado federal Cláudio Cajado (DEM). Durante o encontro, que contou com a presença em peso de adversários do PT, Aécio exibiu o forte interesse no crescimento da oposição nas eleições de 2012 e manteve um discurso duro contra o modelo de gestão petista.
Ele condenou a ideia de que as mudanças no país começaram “somente a partir de 2003” com o governo Lula. Segundo ele, a “agenda da ruptura foi construída lá atrás”. “Hoje existe um software pirata porque o original era nosso”, disse, se referindo aos avanços econômicos que, em sua visão, começaram com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
O ato começou com um discurso do senador que justificou o fato de suas viagens começarem pela Bahia, por representar, segundo ele, “a síntese do Brasil”. “Todo brasileiro é um pouco baiano. Aqui se aprende a conviver de forma harmoniosa”, exaltou.
Após a distribuição de gentilezas, ele endureceu o tom e iniciou uma sequência de críticas ao governo federal. Aécio disse que a presidente Dilma Rousseff (PT) termina seu primeiro ano de governo e “nono ano do PT sem absolutamente nenhuma iniciativa estruturante”. “Com o governo afundando em suas crises, preso na própria armadilha que montou para si”
Ele também se referiu ao “aparelhamento” da gestão e a “subordinação” aos partidos aliados, como pontos negativos e foi mais além ao dizer que a gestão vive em meio a uma “corrupção deslavada”. “Esse governo é apenas reativo. Nenhuma das denúncias (que desencadearam na queda de seis dos sete ministros) foi feita pelo governo, mas pela imprensa”, afirmou. Conforme o senador, esse modelo chegará “exaurido” em 2014. Com discurso de quem pretende sair na frente, o senador também sinalizou sobre como irá iniciar sua estratégia de convencimento. Segundo ele, o PSDB abandonou o “legado” deixado pelo partido a partir de 1994.
“Nós fizemos a privatização sim, implantamos a lei de responsabilidade fiscal. Fomos nós quem modernizamos a economia. No entanto, pesquisas mostram que 60% da população acha que a Lei da Responsabilidade Fiscal é do governo Lula. Eles votaram contra. Metade acha que o Plano Real foi deles. Vamos resgatar o nosso legado para construir o nosso futuro. Na hora que nós contrapormos os modelos, mostrarmos as administrações do PSDB e do PT, aí nós vamos conquistar”.
Geddel minimiza presença
Além dos deputados estaduais, federais, líderes e partidários do DEM, PSDB, PPS, PR, PRP, PTN, PRB e PSC, – causou surpresa no evento a presença das lideranças peemedebistas no estado, o presidente do partido, deputado federal, Lúcio Vieira Lima, e o ex-ministro e atual vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Geddel Vieira Lima. Ambos chegaram ao ato, no meio do discurso, sendo saudados pelo anfitrião Aécio Neves.
O senador se referiu a Geddel como um companheiro da Câmara Federal, que presenciou o avanço na política administrativa do país com a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal.
O ex-ministro, integrante da base de sustentação ao governo federal, discordou das críticas apontadas pelo ex-colega do Congresso às gestões Lula e Dilma e minimizou o fato de ter comparecido ao evento do ferrenho opositor aos seus aliados no plano nacional.
“Minha vinda até aqui se incide ao fato de ter recebido um convite de Aécio ontem e eu, como homem absolutamente civilizado, compareço. Ele é meu amigo querido e não há nenhuma dificuldade”, justificou. Segundo ele, sua ida ao ato pró-Aécio não significa aliança para 2014. “A minha posição política vai ser definida no acompanhamento ao meu PMDB, que está hoje na vice-presidência da República”, disse. O ex-ministro disse não ver estranhamento na situação, pois “não tem vínculo com a nacional. Nós vivemos numa federação”, acrescentou.
Sobre as avaliações negativas de Aécio, ele disse que manifestou divergências em muitas coisas. “Da parte que eu vi, pois eu já cheguei ao final, discordo, por exemplo, da contestação (dele) aos avanços no campo social”. Quanto à crítica de corrupção feita por Aécio, Geddel disse que
: “Isso está aí e a presidente está tomando atitudes, afastando as pessoas”, afirmou. Ele aproveitou para alfinetar “as contradições do PT” e se referiu ao questionamento do ex-aliado estadual sobre ação judicial do PMDB pedindo para retirar a propaganda da Ferrovia Oeste-Leste para indagar: “Por que não fazem propaganda da Via Bahia, da BR-324?”.












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