O Dia
Poucas celebridades têm uma história de vida tão dramática quanto Palmira Nery da Silva Onofre, ou simplesmente Palmirinha. De origem humilde, teve uma mãe gananciosa que a vendeu (isso mesmo) na adolescência para uma família francesa. Como se não bastasse, já casada, apanhava muito do marido.
A tristeza, no entanto, não faz parte da vida desta apresentadora e culinarista. A coluna a entrevistou em Buenos Aires, na Argentina, nos estúdios do canal a cabo Fox, que contratou a senhorinha para ensinar as suas receitas no canal ‘Bem Simples’. O sucesso foi absoluto. Aos 72 anos, ela é a maior audiência da emissora. Mas não é por isso que a coluna resolveu entrevistá-la. Palmirinha é uma lição de vida para todos nós.
É a sua primeira vez em Buenos Aires?
Não, eu já estive aqui. Mas é a primeira vez que eu venho gravar para a Fox.
Mas e o avião, Palmirinha? Você não tem medo de voar?
Eu não gostava mesmo. Mas é tão rápido a viagem para cá que a gente nem sente.
Você veio gravar o especial de Natal. Quais serão os pratos que serão apresentados?
Lombo com frutas, champanhota e um bolo de frutas.
Qual é o segredo do seu sucesso?
O segredo é não deixar o sucesso subir à cabeça. Se você é humilde e ficou famosa, é melhor continuar do jeito que você é.
Você surgiu em 1999, numa entrevista no programa da Silvia Poppovic. Imaginava que chegaria aonde está?
Jamais imaginei que estaria numa TV. Eu cozinhava para a diretora da Silvia. E eu era muito falante. Na verdade eu sou, né? Elas me chamaram para falar sobre mães que criam os filhos sozinhos. Aí eu fui. Fez sucesso. Na época, eu nem sabia o que era Ibope. E me chamaram para outro tema, que era “Você já foi trocada por outra?”. E isso também aconteceu comigo (risos). Eles queriam me contratar, mas eu não aceitei, não! Eu era culinarista na época, fazia congelados…
Mas como você foi parar na TV?
A Ana Maria (Braga, na época apresentadora do ‘Note Anote’, da Record) me chamou. Mas eu falei pra ela que não poderia ficar indo direto lá porque eu tinha muito trabalho e toda agenda marcada de congelados e jantares. Eu estava preocupada com as minhas clientes.
É na frente das câmeras onde você se sente mais feliz?
Eu não vejo as câmeras, eu vejo o meu público. Por isso que eu me solto, falo errado… Os câmeras têm até que me procurar (risos).
E o ponto no ouvido te incomoda? Ou você já se acostumou?
No começo me incomodava um pouco, mas eu precisava para saber a hora que o programa ia acabar, a hora que a gente ia ter que chamar o intervalo… Hoje, eu não uso mais o ponto.
Você saiu magoada da TV Gazeta, não foi?
A Gazeta foi muito boa para mim, deixei muitos amigos. Eu saí de lá um pouco magoada, sim. Não vou negar.
Por quê?
Porque bem na hora em que eu estava me despedindo das minhas amiguinhas, eles cortaram o meu microfone.
Algumas emissoras de canal aberto a convidaram para trabalhar, mas você recusou ir porque eles não queriam levar o seu boneco, o Binho. Isso é verdade mesmo?
É, eu não aceitei mesmo. Não tem nada a ver a Palmirinha sem o boneco.
Quando você percebeu que estava famosa, que era uma celebridade?
Nunca percebi isso. Não me acho uma celebridade. Sou uma pessoa que presto um serviço ao meu público.
Como é a sua rotina de vida? Você vai ao banco, ao supermercado?
Eu adoro fazer supermercado. Mas agora não está dando. Outro dia eu quis comprar umas frutas no mercado. Quando eu entrei com o carrinho, não consegui andar.
O seu programa é o de maior audiência do canal…
É bom para o canal porque traz “dindin”.
Você testa as receitas em casa?
Não. Eu só faço em casa se eu vou inventar uma receita. Se não, eu faço de cabeça e dá certinho.
De todos os pratos que você prepara, qual deles é o seu favorito?
Frango com polenta e macarrão de qualquer jeito.
E o que você não come de jeito nenhum?
Jiló.
Como foi que você aprendeu a cozinhar?
As receitas mais simples a minha mãe me ensinou. As mais sofisticadas, eu aprendi com uma senhora francesa que acabou de me criar.
O que você gosta de fazer além de cozinhar?
Ficar com as minhas três filhas. Como eu trabalhei muito a minha vida toda, eu não tive tempo de ficar com elas. E eu era sozinha. Eu trabalhava em quatro, cinco empresas. Eu ficava dois dias em uma, dois dias em outra e em outros lugares prestava serviço. Eu comecei a limpar chão em uma delas e passei a ser cozinheira. Mas eu digo que sempre Deus me ajudou. O diretor ou gerente dessas empresas sempre acabava gostando dos meus pratos.
Eu li uma entrevista sua em que você diz que sua mãe lhe vendeu por 5 mil réis. Foi para essa família francesa? Como isso aconteceu?
Eu não gosto de falar sobre isso porque me machuca muito (a voz de Palmirinha fica embargada). Minha mãe era italiana e muito gananciosa. E não foi só a mim que ela vendeu, não. Ela vendeu a minha irmã também.
Você conseguiu perdoar a sua mãe por tê-la vendido a um outro casal?
Eu a perdoei, sim. Tanto que cuidei dela até ela morrer, mas eu não gosto de lembrar disso.
O que você gosta de fazer quando não está trabalhando?
Gosto de ficar em casa com os meus netos. Não gosto de viajar, não. Eu não posso desejar mais nada! Deus me deu tudo. Eu nunca pedi nada a Ele e Ele me deu tudo. Eu só rezo a Deus e a Nossa Senhora Aparecida, que é a minha protetora, para agradecer, eu não peço mais nada.
Você já foi cantada por algum paquera?
Eu vou falar uma coisa para você: já fui cantada, sim. E não é velho, é jovem! (risada geral). Mas sabe o que eles querem? (Palmirinha faz o gesto com os dedos representando dinheiro).
Você passou por vários episódios ruins na sua vida, mas eles não lhe fizeram uma pessoa amarga. (Palmirinha apanhou do marido)…
Todo mundo que sofre quando é jovem, apanha dos pais quando criança, acaba descontando nos filhos. Eu não fiz isso. Eu não queria mostrar para as minhas filhas aquilo que eu passei. Tem coisas que até hoje elas não sabem que eu passei. Eu nem contei no meu livro também. Eu só quero passar amor e carinho. Às vezes, eu choro sozinha no meu canto quando lembro dessas coisas todas que aconteceram comigo.
Você mora sozinha?
Moro, mas toda minha família mora perto e aí a gente consegue matar a saudade.
O fim de ano está chegando. Como é o Natal na casa da Palmirinha?
Eu sempre passo o Natal na casa da minha filha mais velha e é muito divertido porque todo mundo fica reunido. É uma data para reunir a família toda mesmo.









@vitoriadaconquistanoticias
Grupo WhatsApp