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Léo Dias: ‘Já invadi hotel atrás do Chaves’, diz Tatá Werneck

fonte_odiaO Dia

fonte_leodias2Tatá Werneck, a periguete Valdirene de ‘Amor à Vida’, não faz o estilo das “divas” globais. “Eu sempre quis ir para a Globo, mas nunca achei que me enquadrava no padrão de qualidade.

Olho para a Paolla Oliveira, que é linda e anda em câmera lenta, e eu assim…”, diz ela. Ex-MTV, a humorista é, também, atriz. Ela criou com amigos de faculdade o grupo de teatro Os Inclusos e os Sisos, conta que foi expulsa de duas escolas, narra os bastidores do teste para a Globo e revela que já invadiu um hotel onde estava hospedado o Quico, do seriado ‘Chaves’. Os humoristas são seus grandes ídolos. “Isso foi há três anos. Não é de quando eu era criança, não. Sou bem bagaceira”.

Como surgiu o convite para a novela ‘Amor à Vida’?
Não teve convite, eu fiz teste.

Como você soube do teste?
Eu tinha um convite para a Globo, mas para pensar em projetos. Não era para novela. Quase renovei com a MTV, quase assinei com a Band. Aí, a Bruna Bueno (produtora de elenco da Globo) me ligou e disse que ia ter um teste da novela das oito. Fui fazer o teste achando que era eu contra eu mesma, mas, na verdade, era um teste com uma galera.

E como era o teste?
Era a cena do Neymar, em que eu invadia o quarto. Quase não fiz o teste. Achava que eu não tinha o padrão novela. Queria muito, mas estava nervosa, com medo. Depois, soube que tinha passado. Entre o resultado do teste e o início das gravações foram apenas três semanas.

Financeiramente, a proposta da Band era muito melhor, né?
Não cheguei a conversar com a Band sobre a questão financeira.

Na MTV você tinha muita liberdade?
Na TV, a gente não ganhava muito bem, mas a liberdade era grande. Amo a MTV, mas senti que as possibilidades lá já estavam se esgotando. Quando apareceu a oportunidade da Globo, vi que tinha chegado o desafio.

A Valdirene já entrou em você?
Agora, sim. Mas no começo eu ficava: “Ai, meu Deus, olhei para a câmera”. Foi tudo muito rápido. As cenas que vão ao ar nas três próximas semanas foram gravadas em um dia. Eu já admirava quem fazia novela, agora eu tiro o chapéu num nível…

Por quê?
Porque é muito sinistro. Entrei, assinei o contrato e já comecei a gravar. O Malvino (Salvador), por exemplo, adianta a gravação de uma cena de choro de uma situação anterior que ele ainda nem gravou. Ninguém no mundo faz novela como a Globo.

Ir para a Globo é um sonho?
Sempre quis ir, mas nunca achei que pudesse me enquadrar num perfil Globo. Rola o tal padrão de qualidade. Eu olho para a Paolla Oliveira, que é a mulher mais linda, que anda em câmera lenta, e eu assim… Achava que tudo o que eu fazia era muito anárquico para esse padrão que atende a todo o Brasil.

O que você faz para compor a personagem?
Não me inspirei em alguém. Foi tudo muito rápido e acabei me inspirando na própria Valdirene, no que o texto estava me dando ali para a personagem. Me inspirei mais em pessoas com autoestima do que em periguetes. Porque a Valdirene acha que é bonita, mas não é. Ela acha que é sensual, mas não é. A mãe dela a educou para se achar muito foda, mas ela não é.

Então, as candidatas do teste não eram gostosonas.
Eu achei todas as mulheres que estavam lá muito lindas. Olhei e pensei: f…eu. E era pra ir vestida de periguete. Lá, tinha estúdio com maquiador e tudo. As meninas chegaram de periguete, de barriga de fora, e eu cheguei de tênis, uma camisa com estampa de cachorro e uma calça legging. A Bruna, produtora, falou: “Pelo amor de Deus, Tatá, não!”. Juro pra você. Aí, eu desci, entrei numa loja e disse para o vendedor: “Cara, eu vou comprar essa roupa aqui, mas não tenho como tirar dinheiro do caixa. Me dá R$ 50 pra eu pegar um táxi rápido”. No dia seguinte, eu fui lá e devolvi o dinheiro dele.

Você o conhecia?
Não conhecia. Eu só disse: “É para um teste, um dia eu te explico, pelo amor de Deus, juro que vou te pagar”.
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Você já pegou algum jogador de futebol na vida?
Não, eu não pego ninguém diferente há alguns anos.

Você namora o Felipe (Gutnik) há seis anos, né?
É, são quase sete anos. A gente já terminou algumas vezes, mas eu não peguei nenhum jogador, não.

Você não tem tesão em jogador?
Acho admirável a comoção nacional em torno de um jogador, mas não tenho esse fetiche. Tenho, às vezes, com músico. Isso eu acho incrível. E com o meu namorado, que não toca violão, mas é o cara mais gostoso dessa vida.

O que é que ele faz?
Ele é engenheiro e trabalha no mercado financeiro. Ele não tem nada a ver comigo.

Você é anárquica, né?
E ele é muito tímido. Quando fui morar em São Paulo, fiquei afastada da minha família, tinha que ir ao hospital sozinha. Se não fosse o apoio dele, eu não estaria onde estou. Quando eu fazia teatro, precisava de outro trabalho para ganhar mais dinheiro. Então, comecei a vender batom. Ele ficava muito orgulhoso disso.

Você emagreceu para a novela?
Se alguém te disser que amanhã você começa a fazer a novela das oito, você vai ficar tão nervoso que emagrecerá quase espontaneamente. Foi o que aconteceu.

Você quer ter um programa de humor na Globo?
Sempre sonhei ter um programa de humor na TV, mas estou amando fazer a novela. Acho que é uma coisa de cada vez. E se me chamassem para outra novela, eu iria.

Qual é a diferença entre a Globo e a MTV?
Na MTV, a gente fazia acontecer a qualquer custo, mas nem sempre tinha recurso. Na Globo, você pode fazer tudo, mas está muito protegido.

Na MTV as coisas eram experimentais?
Acho que não. Levei com o mesmo profissionalismo que levo na Globo. Mas na Globo tudo é reparado. Nunca liguei para rugas, mas quando olhei minha cara no HD, pensei: “É um gremlin!”. E ninguém nunca me disse que eu era assim, que horror!

Você está ganhando bem na Globo?
Olha, eu estou feliz. E quando eu ganhava R$ 700 fazendo teatro, me sentia a pessoa mais rica do mundo por fazer o que queria. Não deixem saber, mas eu faria de graça o que estou fazendo agora.

Você é de família classe média. Como era a sua vida?
Comecei a fazer teatro com nove anos. Estudei em escolas tradicionais (Santo Agostinho e pH). Fui expulsa das duas porque fazia muita bagunça, era representante de turma, militante, ia de peruca para a escola. E tenho um irmão que é inteligentíssimo, é doutor em Direito. Eu era inteligente, mas era bagunceira. Se ficava de recuperação, era em religião. A prova era eu e o padre.

O crachá da Globo já abriu portas para você?
Ainda não estou vivendo essa coisa da Globo, ainda nem caiu a ficha. O que você chama de abrir portas?

As pessoas puxam o saco de quem está na Globo!
Mas tem pessoas que se deixam acreditar, que se acham por cima. Não é a minha.

A Fernandona, sua maior personagem, morreu?
Tadinha! Não fala assim dela (risos). Devo fazer alguns dos meus personagens no Multishow.

Você tem contrato com o Multishow, então?
Tenho! Estou gravando Multishow nas minhas folgas da Globo.

Quem é seu ídolo no humor?
Tenho vários ídolos. Sou muito fã do Pedro Cardoso.

Do Pedro Cardoso? Ele é uó. Vocês se conhecem?
Pessoalmente, não.

Então é melhor nem conhecer. Passa para outro.
Ah, gosto da Fernanda Torres, da Ingrid Guimarães, da Andrea Beltrão, do Gregório Duvivier, muita gente…

Do que você gosta e ninguém nem imagina?
A coisa que eu mais gosto na vida é o programa do ‘Chaves’. Já tentei invadir hotel e tudo. No último encontro do Quico no Brasil, eu fui, paguei R$ 100 para tirar foto com ele, chorei. Já invadi o almoço dele com o Seu Barriga, sentei à mesa, almocei com ele sem ele nem saber quem eu era. Sou fã, tenho livro, boneco, dormia com a roupa do Chaves… Isso tem três anos, não é de quando eu era criança, não. Sou bem bagaceira.



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