diamantina toyota

SAMUR

pmvc

pel construtora

herrera hair institute

VCA rede axegu

vca construtora

natanael a honra do cla

Léo Dias: “Depois da fama, fui à falência”, diz Fly, diretor artístico da Rede Globo

fonte_odiaO Dia

fonte_leodias2Vagner Menezes Pereira, o Fly, é hoje diretor artístico na Globo no núcleo de Boninho. Mas há alguns anos, depois de ter brilhado com o grupo You Can Dance, o coreógrafo contou que não tinha dinheiro nem para tomar um café na rua ou pegar o ônibus.

“Ganhei muito e gastei tudo”, revela. Hoje, Fly dá palestras sobre educação financeira no Projac e lança, no fim do mês, o livro ‘Como Saí do Buraco’, em que conta como conseguiu dar a volta por cima. Na entrevista a seguir, ele fala também de Xuxa e Marlene Mattos: “Não existe conflito em ser amigo das duas”.

Por que você ficou pobre?
Quando a gente não tem nada e começa a ter as coisas, a gente quer ter tudo de uma vez só. Assim que comecei a ganhar dinheiro, passei a comprar coisas que eu não conseguia manter. Quando isso acontece, já viu, né?

Você ficou deslumbrado?
O dinheiro veio com o sucesso e com a fama e eu comecei a querer comprar tudo. Ganhei muito, mas perdi tudo.

Seu nome já foi para o SPC (Serviço de Proteção ao Crédito)?
Não vou mentir, não, Leo. Foi, sim.

Hoje, você dá palestras de educação financeira no Projac. Tem gente famosa que te assiste?
Olha, tem muita gente, em geral, mas não posso falar, por uma questão de ética.

Você consegue diagnosticar o seu problema?
É simples: eu gastava mais do que ganhava. Minha história começou aos 13 anos, quando comecei a trabalhar e queria comprar as coisas. Como meus pais não tinham boas condições financeiras, fui atrás do meu dinheiro. Vendi ferro-velho, trabalhei em casa de família, vendi Hermes (catálogo que vende produtos variados), comecei a fazer dinheiro. Sempre soube ganhar dinheiro, mas não sabia administrar. O problema é que quando você cresce, a responsabilidade vem junto.

Na época, o que te fazia gastar?
Não sei dizer bem, eu gastava dinheiro porque tinha para gastar. Eu contava com o ovo na galinha. Se ia ter show na semana que vem, eu já gastava o que ia receber sem sequer ter nada na mão.

E hoje você não gasta o que não tem?
Não, eu gasto dentro da minha realidade.

Quando você se deu conta de que estava tudo muito ruim?
A gente tem que passar pela situação para aprender. Percebi que estava quebrado quando precisei comprar comida e não tinha dinheiro. Eu estava no fundo do buraco, minha mãe tinha morrido nessa época (1995), eu perdi totalmente a minha estabilidade.

Você estava desempregado nessa época?
Eu estava trabalhando, eu tinha tudo. Já viu aquelas pessoas que começam a viver de aparências? Eu estava na rua e, de repente, não tinha dinheiro para tomar um café ou para a passagem. Você começa a atrasar até conta de luz. Eu renasci das cinzas.

Qual é o motivo para você escrever o livro ‘Como Saí do Buraco’?
O que mudou a minha vida foi um livro. Depois, li mais de 40 livros sobre educação financeira. Achei que poderia ajudar outras pessoas.

Mas você escreveu para ganhar dinheiro?
Não. É para levar minha ideia para mais pessoas. Você já viu alguém ganhar dinheiro com livro? O custo é alto. Meu objetivo é que as pessoas conheçam a minha história. Ninguém aprende educação financeira numa única palestra. Quando faço um curso no Projac, sempre conto minha história de vida antes para as pessoas se identificarem comigo.

Fly ao lado de Xuxa em 2011: uma de suas maiores incentivadoras

E deu para ganhar muito dinheiro já?
Sou um cara muito educado financeiramente, penso muito no futuro. Não sei ganhar dinheiro rápido, sei ganhar dinheiro sempre.

Dá um exemplo de um gasto bobo na época e que você não tem hoje?
O cara que compra um carro em 60 vezes pode ter um carro? Agora, se ele compra um apartamento em 30 anos, com financiamento da Caixa, aquilo ali é um investimento. Mas se ele compra essa casa, um carro caro, zero, eletrodomésticos caros, aí ele está fazendo besteira.

Você não compra nada parcelado?
Não, só à vista.

E cartão de crédito?
Eu uso a meu favor.

Você tem quantos carros?
Um só. Pra que outro?

Sua mulher não tem?
Ela tem o dela.

Ela trabalha?
Trabalha comigo.

Vocês dividem as contas de casa?
Em casa, eu seguro. Quero que ela fique com o dinheiro para ela.

Ela gasta muito?
Não, ela é educadíssima.

Qual é o significado da Xuxa na sua vida?
Ela é minha fada madrinha. É a primeira pessoa, junto com a Marlene (Mattos, que foi diretora de Xuxa por 20 anos), que acreditou na minha carreira.

“You Can Dance”: Segundo Fly, grupo apenas “deu um tempo”

E a Xuxa sempre foi fada madrinha ou ela se tornou fada madrinha depois?
Isso foi sendo construído ao longo dos nossos 24 anos de amizade.

Qual foi a sua primeira impressão dela?
A gente trava quando a vê, ela tem um olhar muito forte, ela é incrível.

E a Marlene na sua vida?
Ela sempre acreditou no meu trabalho, me incentivou a estudar, a investir na minha carreira. Deus levou minha mãe, mas me deu a Marlene.

Existe conflito em ser amigo da Xuxa e da Marlene, já que elas não se falam?
Nem um pouco. As duas são minhas amigas, nenhuma delas cobra nada de mim. Quando me formei (na faculdade de Marketing), fiz uma placa de homenagem para meu pai e para a Xuxa. Aí, a Xuxa me falou para fazer uma para a Marlene também.

Você a vê com frequência?
Não. Falo com a Marlene no aniversário dela, no Natal. Não precisa a gente ligar para uma pessoa todo dia só porque gosta dela, né?

Você pensa em deixar a dança para se dedicar à consultoria financeira?
Não vou abandonar a dança. Eu sou Bombril, 1001 utilidades. Consigo fazer tudo: consultor, coreógrafo, pai da Bruna (de 4 anos) e marido da Christiane Negrão.

Quando você se tocou que virou referência na coreografia?
Não me toquei, não. As pessoas é que falam. Não sei dizer se sou, mas fico feliz quando dizem isso.

Por que o You Can Dance acabou?
Ali foi o começo de tudo, depois cada um queria uma coisa diferente. Mas não terminou o grupo, não. A gente só deu um tempo.

O que você queria naquela época?
Eu queria crescer. Eu vi dentro da Globo uma oportunidade grande e estudei muito lá dentro para me tornar diretor. Fiz todos os cursos que você possa imaginar. Curso de edição, de câmera, assistente de direção, passei por tudo relacionado à televisão ali. E hoje eu agradeço ao Mariozinho Meirelles, ao Roberto Talma e à Xuxa.

Os outros integrantes estão fazendo o quê agora?
O Daddy Kall está cantando, o Kadú está administrando algumas coisas com a mulher dele e o Tom montou uma empresa com coisas de criança.

O que é legal na fama?
Eu uso a fama a meu favor. Não bebo, não fumo, não sou de balada, sou um cara de família, nunca fiz nada de errado na vida, sempre andei na linha, tenho credibilidade.

E o que não é legal?
Acho que ainda não conheci esse lado. Mas fiz o flashmob para os bispos dançarem na vinda do Papa, aí veio a crítica de que o coreógrafo da JMJ (Jornada Mundial da Juventude) posou para uma revista gay. Qual é o problema? Pegaram uma foto minha de Ney Matogrosso para o ‘Lata Velha’ e criticaram também. Isso é hipocrisia.

Por que você posou?
Eu precisava de dinheiro, cara. Estava todo endividado.

O cachê era bom?
Ajudou bastante.

O que você comprou?
Nada! Na época, só paguei dívidas. (risos)



Leia também no VCN: