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PP tenta abafar crise para não perder Ministério das Cidades

Último Segundo

Lideranças temem que denúncia sobre compra de apoios no Congresso resulte em mudança na pasta que o partido comanda desde 2005.

Ministro Mário Negromente nega denúncia de "Veja" e desafiou a publicação a apresentar provas

Em meio a uma guerra interna, lideranças do PP (Partido Progressista) tentam colocar em prática uma operação abafa para evitar a perda do Ministério das Cidades. O estopim é a denúncia de que o ministro Mário Negroponte ofereceu R$ 30 mil a deputados para apoiarem a escolha de um líder de bancada da confiança dele. O partido teme a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o caso.

A suposta compra de apoio foi relatada em reportagem da revista Veja deste fim de semana. Segundo a publicação, deputados do PP teriam sido chamados no gabinete de Negromonte para retirar suas assinaturas do requerimento que destituiu o Nelson Meurer (PP-PR) do comando da bancada. O ministro negou o fato e cobrou apresentação de provas. Nenhum deputado apareceu para confirmar a denúncia.

A briga no PP começou com a troca de Meurer por Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) no último dia 12. A estratégia foi montada nos bastidores pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) e pelo deputado Eduardo Da Fonte (PE). Eles se aproveitaram do descontentamento de parte da bancada com Meurer, que havia sido indicado por Negromonte e José Pizzolatti (SC) – ambos ex-líderes.

Da Fonte e Nogueira também trabalharam para evitar que José Otávio Germano (PP-RS), então primeiro vice-líder da bancada, se tornasse o líder. No começo do mês, relatório da Procuradoria Geral da República (PGR) apontou o deputado gaúcho como responsável por uma fraude de R$ 44 milhões no Departamento de Trânsito do Rio Grande do Sul – caso revelado pela Polícia Federal.

Surpresa

Como o Poder Online publicou, Negromonte foi surpreendido pela troca de líder da bancada sem a sua anuência também, o que sinalizou uma perda de autoridade dele junto ao grupo. Durante a semana, ele tentou reverter a situação. Foi quando começaram a surgir boatos sobre a oferta de R$ 30 mil mensais para que Meurer fosse reconduzido ao posto de líder.

Integrantes dos dois grupos rivais no PP disseram que o vazamento da disputa na imprensa colocou em risco a manutenção do Ministério das Cidades. O partido comanda a pasta desde 2005. No começo do ano, a presidenta Dilma Rousseff tentou manter Márcio Fortes no cargo, mas a bancada insistiu em Negromonte.

Ao chegar ao ministério, Negromonte não conseguiu atender todos os pedidos de nomeações e teve dificuldade para liberar emendas parlamentares. Um caso notório é o comando do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). O senador Ciro Nogueira indicou o ex-deputado Inaldo Leitão (PB) para o posto, mas o pedido não se efetivou.

Setores ligados a Negromonte acusam Ciro de querer se tornar ministro, o que ele nega. Senador desde o início desta legislatura, ele exerce grande influência na bancada da Câmara. Dos 41 deputados 27 apoiaram a troca de Meurer por Ribeiro. No Senado, além de Ciro, a bancada é formada por mais quatro senadores.

Entre eles, está Francisco Dornelles (RJ), que é presidente nacional do PP. Ele não quis se envolver na disputa interna na Câmara. Porém, depois de ler a reportagem da revista Veja, disse a um aliado que aquilo “era muito ruim para o partido como um todo”. Segundo a publicação, a presidenta da República e a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) foram avisadas do caso.

Por meio de sua assessoria de imprensa , Ideli informou que em nenhum momento soube de qualquer compra de apoios pelo ministro. Reconheceu apenas que havia sido avisada sobre a disputa pelo comando da bancada.



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