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Daniel Castro: Série da HBO feita no Chile tem acabamento hollywoodiano

R7

Estreia da HBO no próximo d0mingo (4), às 22h, o primeiro episódio de Prófugos é uma daquelas raras produções televisivas que envolvem o telespectador, o prendem na tela do televisor.

O piloto da série chilena tem ação e tensão do primeiro ao último minuto. Tiros, assassinatos, perseguições, explosões e confrontos não necessariamente violentos se desenvolvem em quantidade e intensidade nunca vistas numa produção para TV na América Latina. O trailer que você pode ver clicando  na imagem que encerra este texto não é propaganda enganosa.

Primeira produção da HBO no Chile, Prófugos lembra filmes americanos de ação, obviamente sem o orçamento e a sofisticação das produções de Hollywood. O diretor da série, o cineasta chileno Pablo Larraín, admite abertamente a inspiração nos filmes de Michael Mann, diretor de Efeito Colateral (2004) e Miami Vice (2006), e nos personagens solitários do film noir.

A série conta a história de quatro homens muito distintos que se unem em uma situação de alto risco. Eles entram em uma missão pensando que resolverão suas vidas, mas se complicam ainda mais.

O ator Néstor Cantillana em gravação das série Prófugos

Vicente Ferragut (Néstor Cantillana), Álvaro “Tegui” Parraguez (Benjamín Vicuña), Oscar Salamanca (Francisco Reyes) e Mario Moreno (Luis Gnecco) são contratados para transportar cocaína líquida da fronteira da Bolívia a Valparaíso, no Chile. Percorrem mais de 2.000 quilômetros, primeiro com um caminhão-tanque e depois com a droga embalada em garrafas de vinho.

Ao chegarem ao porto de Valparaíso, travam um grande tiroteio com a polícia. A missão fracassa, porém conseguem escapar. Tornam-se, então, fugitivos (prófugos em espanhol). Cada um dos próximos episódios promete uma nova aventura.

Os quatro homens não se suportam, mas, pela sobrevivência, têm de trabalhar e fugir juntos. Vicente e Tegui são jovens. Vicente é herdeiro de um cartel chileno de tráfico de drogas. Entra na operação de transporte de cocaína líquida sob pressão de sua mãe, Kika, que comanda o cartel de um presídio. Tegui se passa por delinquente, mas é na verdade um policial infiltrado.

Oscar e Moreno são homens maduros. Oscar é um ex-militante de esquerda que descobre uma doença terminal e entra no tráfico para deixar algum dinheiro para a filha. Ele irá bater de frente com Moreno, um ex-colaborador da ditadura de Augusto Pinochet.

5º personagem

Todos os 13 episódios da série foram filmados durante sete meses. A produção, que envolveu 400 profissionais, percorreu 8 das 12 regiões do Chile. De 2.000 quilômetros ao norte de Santiago a 1.000 quilômetros ao sul da capital chilena. Os produtores da série dizem que a paisagem chilena, que vai do deserto à floresta, é um “quinto personagem”.

Quase todas as imagens da série foram feitas com câmera na mão, são levemente trêmulas. Além de dar maior tensão, o recurso serve, lembra o diretor, Pablo Larraín, para dar maior agilidade à ação e tornar a narrativa mais realista, “como se fosse um documentário”. A iluminação é naturalista, não “aparece”.

O ator Francisco Reyes em gravação na Cordilheira dos Andes

Segundo Roberto Rios, produtor da HBO Latin America, a história foi filmada no Chile porque nasceu no Chile. Foi apresentada por Larraín. E por que uma trama de narcotráfico no Chile, um país que o noticiário não associa ao tráfico de drogas? Larraín responde:

“O mundo tem três grandes produtores de cocaína: Colômbia, Bolívia e Peru. Quando a droga vai para os Estados Unidos, ela passa pelo México. Quando vai para a Europa, muitas vezes usam o Chile como corredor. O Chile tem uma fronteira extensa e muitos portos marítimos. Tudo o que está na série é real”, diz.

Segundo Juan de Dios Larraín, que assina a produção da série, a trama faz uma conexão com a história do país. “As tramas dos personagens estão relacionadas com o imaginário chileno e têm tom político. Todos os olhares estão representados. Salamanca está ligado à esquerda e Moreno, à ditadura. Estão juntos, mas são opostos”, afirma.

Pablo Larraín complementa: “Há elementos do passado e do presente. Há os ferimentos do passado, mas também mostramos o presente do Chile, de um país organizado, em que as instituições funcionam. A série propõe a ideia de que todas as instituições estão sob risco por causa dos prófugos”.



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